Vida Urbana

Suspeito trocou mensagens via WhatsApp com Patrick durante execução da família

Estudante orientava Patrick sobre o que fazer com os corpos via em tempo real.



Jhonathan Oliveira
Jhonathan Oliveira
Agente da polícia adiantou que o novo suspeito preso "sabia de tudo"

O segundo suspeito de participação na chacina de uma família paraibana na Espanha, é um amigo de Patrick Gouveia - assassino confesso do seu tio, a esposa dele, e os filhos de 1 e 4 anos do casal. A prisão aconteceu na manhã desta sexta-feira (28), no bairro do Bessa, em João Pessoa. Segundo a polícia Marvin Henriques Correia tem 18 anos e é estudante. Ele se comunicava com Patrick durante a execução do crime e dava dicas de como ele proceder e esquartejar os corpos antes de colocá-los dentro dos sacos plásticos. O contato acontecia por meio de WhatsApp. O jovem confirmou participação no crime.
 
"Durante a execução do crime, Patrick conversava pelo WhatsApp em tempo real com o suspeito preso na Paraíba. Patrick perguntava como agir, como ele podia ocultar os corpos, o que fazer", disse, em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (28), o delegado Reinaldo Nóbrega, que realizou a prisão.
 
Reinaldo Nóbrega relatou detalhes da participação indireta de Marvin no caso. Segundo ele, o estudante recebeu de Patrick fotos dos corpos multilados via WhatsApp. Por sua vez, o jovem deu seu celular a um amigo contendo as fotos dos cadáveres, esse amigo abriu o aplicativo no celular do suspeito e viu as fotos dos corpos esquartejados. O jovem levou o celular do amigo de Patrick para a Polícia Federal.
 
Mesmo confirmando participação, o jovem se mostrou arrependido e disse que achava que isso não seria crime. "Participou esclarecendo alguns pontos osbcuros", acrescentou Reinaldo Nóbrega. O jovem se encontrou com Patrick duas vezes após o crime em João Pessoa.
 
A polícia cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão, que foram expedidos na quinta-feira (27). Na casa do jovem foram apreendidas uma CPU, que foi apresentada como uma das evidências do caso e também o livro "A parte obscura de nós mesmos: uma história de perversos", de autoria de Elizabeth Roudinesco. O celular que continha as fotos, Marcos Paulo acredita que está anexado ao inquérito principal.
 
A investigação feita no Brasil que terminou com a prisão do segundo suspeito, corria independente do trabalho da Guarda Civil da Espanha. A polícia diz que Marvin não pode ser extraditado e deve responder processo no Brasil. Ele participará de audiência de custódia na próxima segunda-feira (31).
 
François Patrick Nogueira Gouveia era apontado como o único suspeito do crime. Patrick é assassino confesso do casal de paraibanos Marcos Nogueira e Janaína Santos Américo, de 39 anos, e os dois filhos deles, de 1 e 4 anos, na Espanha, não demonstra nenhum arrependimento de ter cometido o crime. A informação é do tio de Patrick e irmão de Marcos, Walfran Campos, que desembarcou nesta quinta-feira (27) em João Pessoa após passar um mês na Espanha para acompanhar o caso, que foi descoberto no dia 18 de setembro.
 
O que diz a defesa de Marvin
 
Segundo o advogado de Marvin Henriques, Sheyner Asfora, a prisão é apenas preventiva e vai esperar a conclusão do inquérito para confirmar se ele teve participação no crime. "Fui contactado pelos familiares para estar aqui neste momento em que ele foi detido, e decretada sua prisão preventiva. Neste primeiro momento o que se está apurando é se ele efetivamente participou do crime de homicídio. Se tem alguma conclusão no sentido de que ele instigou, ajustou, determinou, ou auxiliou de alguma forma a prática do homicídio", afirmou.

"O que tem na investigação preliminar é que o Patrick que já estava na Espanha, em um determinado momento conhecia o Marvin, e encaminhou uma foto [dos corpos]. Isso parte do Patrick e não do Marvin", alega o advogado. Ainda segundo Asfora, trocar mensagens não caracteriza participação no crime. "Deste momento começam a trocar mensagens. Não quer dizer que já está caracterizado que participou para a concretização do crime de homicídio. Ainda está cedo para afirmar isso. Tem que se ter acesso ao conteúdo das mensagens, porque o simpels fato de receber ou trocar mensagens não quer dizer que está participando do crime de homicídio", disse.
 
Sobre a confissão da participação por parte de Marvin, Asfora foi enfático. "Ele confessou apenas que trocou mensagens", afirmou.
 

 
Relembre o caso

Os corpos de Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e os dois filhos deles foram encontrados em sacos plásticos, dentro da casa em que moravam, no dia 18 de setembro. As autoridades foram alertadas por um vizinho 'que percebeu o odor' vindo da residência. Os investigadores acreditam que as vítimas estavam mortas há cerca de um mês.

Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. O único suspeito é François Patrick Nogueira Gouveia, que foi apontado após a polícia achar material genético dele no local do crime.

O sobrinho de Marcos morou com a família na Espanha durante quatro meses. Segundo familiares de Janaína, durante esse período ela por várias vezes fez queixas de Patrick, dizendo que ele era agressivo e assustava a família. Além disso, Patrick também é dono de um passado violento, tendo sido apreendido quando era adolescente, no estado do Pará, após tentar matar um professor dentro de sala de aula.