Vida Urbana

Assassino de família paraibana na Espanha não demonstra arrependimento

Walfran Campos desembarcou na quinta-feira (20) em João Pessoa e deu detalhes do caso.



Francisco G. Ruiz/Guarda Civil
Francisco G. Ruiz/Guarda Civil
"Tive acesso às fotos, que mostram a brutalidade do crime", disse Walfran

François Patrick Nogueira Gouveia, assassino confesso do casal de paraibanos Marcos Nogueira e Janaína Santos Américo, de 39 anos, e os dois filhos deles, de 1 e 4 anos, na Espanha, não demonstra nenhum arrependimento de ter cometido o crime. A informação é do tio de Patrick e irmão de Marcos, Walfran Campos, que desembarcou nesta quinta-feira (27) em João Pessoa após passar um mês na Espanha para acompanhar o caso, que foi descoberto no dia 18 de setembro.

De acordo com Walfran, durante a reconstituição, Patrick repetiu o que já havia dito em depoimento à Guarda Civil, a polícia federal da Espanha. “Ele não conta como matou as crianças, ele diz que esqueceu de como fez o ato com as crianças. E ele conta também que, antes de matar meu irmão, ele esperou meu irmão chegar e ficou conversando com ele 30 minutos lá no jardim da casa, na piscina, e, ao entrar na casa, ele disse que meu irmão virou pra ele e, automaticamente, ele atacou com uma facada. Já tinha matado as duas crianças e a mulher, Janaína”, relatou.

O irmão de Marcos foi Impedido de participar diretamente da reconstituição que aconteceu nesta quarta-feira (26), ele acompanhou o processo do lado de fora do chalé, em Pioz, na província espanhola de Guadalajara. Walfran revela que até a polícia se surpreende com a frieza de Patrick. “Ele não mostra nenhum tipo de arrependimento, ele está super calado, frio. Em todos os depoimentos dele, é centrado, tranquilo. E isso até assusta a polícia pelo fato de ele não mostrar remorso”, declarou.

Antes de voltar ao Brasil, o irmão de Marcos explicou que teve acesso às informações da investigação que estão em segredo de justiça. “Tive acesso às fotos, que mostram a brutalidade que fizeram com minha família”, comentou.

A defesa de Patrick vai alegar insanidade mental, sobre essa possível alegação Walfan disse que é natural haver um argumento da defesa. “Ele tem que se defender. Mas, vai ser examinado pelos médicos e peritos e ver se realmente ele tem isso mesmo", declarou. "Acho difícil ele escapar dessa porque o crime chocou muito aqui e na Espanha, e o povo está querendo justiça”, finalizou.

Relembre o caso

Os corpos de Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e os dois filhos deles foram encontrados em sacos plásticos, dentro da casa em que moravam, no dia 18 de setembro. As autoridades foram alertadas por um vizinho 'que percebeu o odor' vindo da residência. Os investigadores acreditam que as vítimas estavam mortas há cerca de um mês.

Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. O único suspeito é François Patrick Nogueira Gouveia, que foi apontado após a polícia achar material genético dele no local do crime.

O sobrinho de Marcos morou com a família na Espanha durante quatro meses. Segundo familiares de Janaína, durante esse período ela por várias vezes fez queixas de Patrick, dizendo que ele era agressivo e assustava a família. Além disso, Patrick também é dono de um passado violento, tendo sido apreendido quando era adolescente, no estado do Pará, após tentar matar um professor dentro de sala de aula.