Vida Urbana

Três hospitais da Paraíba estão com déficits de estrutura e profissionais, diz CRM-PB

A Maternidade Frei Damião e o Trauminha de Mangabeira correm risco de interdição.




Foto: Divulgação/CRM

Três unidades hospitalares da Paraíba estão com déficits de estrutura e profissionais. De acordo com declaração do diretor de Fiscalização do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) à Rádio CBN João Pessoa, nesta quarta-feira (28), a Maternidade Frei Damião e o Complexo Hospitalar de Mangabeira Tarcísio de Miranda Burity, mais conhecido como Trauminha, correm risco de interdição devido a precariedade da estrutura do prédio. Já a ala de pediatria do Hospital de Trauma de Campina Grande, tem um déficit de pediatras desde agosto de 2017.

De acordo com João Alberto, não houve o pedido de interdição das unidades devido a preocupação do conselho com a população. “Nós sabemos que uma interdição traria prejuízo à população, seria pior do que deixar funcionando nessas condições. Mas um hospital com essas condições e os riscos que existem, é passivo de interdição sim”, afirma.

Em relação as fiscalizações realizadas nas unidades, João Alberto afirma que o CRM-PB está disposto a atender qualquer denúncia, dependendo da gravidade. “Nós temos dois fiscais para todo o estado da Paraíba, temos então que eleger algumas prioridades na hora de realizar as fiscalizações”, diz.

Maternidade Frei Damião

O diretor de fiscalização do CRM encontrou diversas irregularidades durante fiscalização realizada no dia 14 de março na Maternidade Frei Damião, localizada em Cruz das Armas. “A Frei Damião é um hospital que traz riscos enormes, ao ponto de nosso relatório ter sido encaminhado também para o corpo de bombeiros”, afirma. “Existe risco de incêndio devido a possibilidade de curto circuito nas fiações e até mesmo de explosão e destruição do prédio, devido a central de oxigenação improvisada. Este tipo de problema pode ocasionar mortes”, conclui.

No prédio da maternidade ainda foram encontrados esgoto à céu aberto e ratos eletrocutados nos geradores, ainda de acordo com João Alberto, as roupas da maternidade são lavadas no Hospital Infantil Arlinda Marques devido a falta de estrutura da lavanderia da maternidade. “O setor de lavanderia está parado há mais de um ano. Onde aconteceu o incêndio no mês de setembro do ano passado [2017] ainda está do mesmo jeito, não mudou absolutamente nada”, diz.

A assessoria da Maternidade Frei Damião informou que recebeu o relatório da inspeção feita pelo CRM, no dia 14 de março, apenas nesta terça-feira (28) e que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas. “A Secretaria de Estado da Saúde vem realizando um acompanhamento no sentido de qualificar os serviços da Maternidade Frei Damião, que envolvem desde a capacitação da equipe médica e multiprofissional como melhorias nas instalações físicas”, afirma.

O Trauminha

“Quando se fala no Trauminha eu fico muito mal, porque é um hospital que deveria ta fechado”, afirma João Alberto sobre a situação do Complexo Hospitalar de Mangabeira Tarcísio de Miranda Burity, localizado no bairro de Mangabeira.

De acordo com o diretor de fiscalização, caso o hospital seja interditado iria prejudicar ainda mais à população, devido a isto, o CRM deve aceitar a precariedade dos serviços e ainda afirma que o conselho juntamente com a Secretaria de Saúde de João Pessoa não conseguiu uma boa condição de funcionamento da unidade. “Eles são de restrita responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde, eles tem a obrigação de atender com a maior dignidade possível àquela população que procura pelo hospital”, diz.

A Direção-geral do Trauminha informou ao JORNAL DA PARAÍBA, através de uma nota, que a unidade hospitalar continua atendendo a demanda da população de João Pessoa e de outros municípios, que representa 41% dos atendimentos no local.

“A unidade hospitalar realiza seus serviços para oferecer a melhor assistência aos usuários. Apenas em 2017, foram feitas 5.731 cirurgias, inclusive, o Complexo Hospitalar chega a realizar até 30 cirurgias em um único dia, como é o caso desta quarta-feira (28). Vale destacar que, em 2017, foram realizados 637.196 procedimentos ambulatoriais, entre consultas, exames e outros atendimentos”, disse o hospital em nota.

Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande

O CRM-PB identificou em agosto de 2017 o baixo número de pediatras no plantão. Devido a fiscalização, o conselho entrou em um acordo com o Ministério Público da Paraíba (MPPB)e foi restituído uma multa de R$ 5 mil por dia. “Após essa decisão, o Governo do Estado não vem cumprindo isso e consequentemente essa multa atinge valores que gira em torno de duzentos mil reais”, afirma João Alberto.

O Hospital é mais uma unidade de saúde que preocupa o CRM, de acordo com o diretor de fiscalização, o conselho terá que exigir do MPPB outra ação.

De acordo com o Diretor Geral do Hospital de Trauma de Campina Grande, Geraldo Medeiros, não há déficit de pediatras na unidade.  “Um plantão noturno tem entre quatro e seis atendimentos, um quantitativo normal de atendimentos; bem menor daquele observado em hospitais particulares da cidade”, avaliou.


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.