Vida Urbana

Trauma de João Pessoa é um ambiente de risco para pacientes e profissionais, afirma CRM

Relatório do Conselho Regional e MPF também aponta superlotação.




Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

O fim dos contratos com as organizações sociais e a retomada da gestão da saúde para o Governo do Estado, provocou um clima de instabilidade no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa nos últimos dias. Na quinta-feira (9), durante uma fiscalização acompanhada pelo Ministério Público Federal (MPF), o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) emitiu um relatório sobre a situação da unidade hospitalar e afirmou que atualmente, o local constitui um ambiente de risco para profissionais e para as pessoas que procuram atendimento. Os detalhes do documento foram divulgados nesta segunda-feira (13).

Dentre as constatações está a transferência de seis pacientes da UTI do Hospital de Traumatologia e Ortopedia da Paraíba (HTOP), onde três morreram, o médico responsável pelo acompanhamento do setor sem especialidade, além de 48 pessoas internadas sem distinção de sexo, com macas próximas e moscas pousando nos pacientes. No documento do CRM-PB, o atraso nas reavaliações médicas dos pacientes foi apontado como um dos fatores agravantes para a superlotação, já que o cenário prejudica o fluxo de pacientes.

A interrupção do funcionamento do tomógrafo, que voltou a funcionar nos últimos dias, foi outro fator agravante apresentado, pois pacientes estavam dependendo do equipamento para diagnósticos e terapias.

Na área verde (destinada à pacientes em atendimento de baixa complexidade) também foi constatada superlotação, com pessoas sendo atendidas de maneira improvisada em poltronas, alguns na sala destinada à administração de medicamentos e apenas um banheiro para utilização por todos os 41 pacientes. Para diminuir a superlotação, cinco deles foram transferidos para o Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, mas houve um novo internamento, totalizando 37 internos.

De acordo com o diretor de Fiscalização do CRM-PB, João Alberto Morais Pessoa, uma medida mais enérgica não será tomada por ser uma unidade voltada para o atendimento de emergência e trauma. Segundo ele, isso traria um prejuízo sem tamanho.

“Encontramos situações muito perigosas para profissionais e pessoas que procuram atendimento. Já fizemos um relatório, encaminhamos ao MPF, a secretaria do estado e que seja solucionado. São locais que cabiam 20 pessoas que tinham o dobro, gente usando sonda em locais cheio de moscas, falta de isolar mulheres de homens, macas uma em cima da outra com risco de infecção e pessoas há mais de 30 dias esperando cirurgia. Vamos esperar o Ministério Público Federal e o da Paraíba tomarem uma medida e solucionar este problema”, disse João Alberto.

À TV Cabo Branco, o secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, afirmou que “acompanhou a inspeção, que o Hospital de Trauma tem um alto fluxo de pacientes e por isso os servidores passaram por treinamento para agilizar os atendimentos e exames”, disse, ainda complementando que “no segundo trimestre deste ano, novos leitos serão construídos e que os problemas com medicação de alguns pacientes são problemas pontuais”. Geraldo Medeiros também garantiu que “os problemas serão resolvidos, pois uma nova gestão está se iniciando”, finalizou.

O que precisa ser feito?

As recomendações do CRM foram: melhores condições estruturais para ambiente com conforto acústico, distância entre os leitos de, no mínimo, 80 centímetros. Sobre as demais irregularidades estão, o tempo de permanência na observação da emergência ultrapassa 24 horas, existe internação nas dependências do serviço de urgência e emergência, além de evidências de pacientes excedendo a capacidade do hospital (superlotação).


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.