Vida Urbana

Transposição pode não chegar a tempo de evitar colapso em CG, diz especialista

Francisco Sarmento cita "improvisações" na obra. Dnocs afirma que água chegará sem problemas.



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Segundo o governo, vazão é de oito metros cúbicos

A água da transposição do Rio São Francisco pode não chegar em quantidade suficiente ou a tempo de normalizar o abastecimento em Campina Grande e mais 18 cidades do Agreste paraibano, que sofrem com o racionamento. Ex-secretário de Recursos Hídricos do Estado, o professor Francisco Sarmento, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), afirmou nesta segunda-feira (6) que "improvisações" realizadas na obra podem comprometer o fluxo de água até o reservatório de Boqueirão. Em resposta, o Departamento Nacionalde Obras contra as Secas (Dnocs) disse que a transposição chegará ao açude sem problemas.

 
"Duas das seis estações do Eixo Leste da transposição não estão concluídas, a 5 e a 6. Então, foi feita uma instalação provisória com bombas doadas pelo Estado de São Paulo para que pudesse ser feito um desvio da água, que não vai mais passar pelas estações 5 e 6, numa quantidade que não é divulgada. Será que essa vazão vai ser em volume suficiente para chegar até Boqueirão?", questiona Sarmento, que conversou com o JORNAL DA PARAÍBA após uma entrevista à Rádio CBN João Pessoa.
 
Na visão do secretário de Recursos Hídricos do governo José Maranhão, se essa vazão for pequena, há um grande risco de a água infiltrar no leito do rio Paraíba antes de chegar a Boqueirão. "Ela infiltrará na sua totalidade e sequer chegará lá na ponta, que é onde interessa porque tem mais demanda. A questão é se essa quantidade será suficiente ou não", avalia.
 
Na semana passada, o coordenador estadual do Dnocs, Alberto Gomes, disse que a vazão que chegaria à Paraíba era de oito a 11 metros cúbicos por segundo. No entanto, o professor teme que o atraso no cronograma, provocado pelo vazamento da barragem de Barreiro, em Sertânia, Pernambuco, na última sexta-feira (3), impeça a água de abastecer Boqueirão antes de evitar um colapso no sistema.
 

Professor e ex-secretário de Recursos Hídricos Francisco Sarmento (Foto: Artur Ferraz)

"Se for mesmo essa vazão, é uma quantidade suficiente. Só é preciso computar quanto tempo deve levar para chegar até Boqueirão. O Eixo Leste tem 217 quilômetros de extensão e tem capacidade para 28 metros cúbicos por segundo. Então, esses oito metros cúbicos vão ter que encher as barragens e, sem contar com essa barragem que rompeu no final de semana e que o ministério [da Integração Nacional] vai ter que encher lentamente para ir observando se ela apresenta algum problema", afirma.

 
Dessa forma, é preciso que os ajustes sejam concluídos antes que o reservatório seque. "A nossa preocupação é que todas as barragens que estão no trajeto das águas sejam preenchidas adequadamente e a tempo para que não se consumam aqueles 15 milhões [de metros cúbicos] que ainda restam no açude de Boqueirão. Porque, se o atraso for prolongado demais, por dois, três, quatro meses, com certeza, essa água de Boqueirão não será suficiente para manter Campina Grande e as outras cidades", diz. 

Resposta
 
O coordenador estadual do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), Alberto Gomes, informou que, ao contrário do que afirmou o professor Francisco Sarmento, as estações 5 e 6 estão concluídas. Ele também garantiu que a água vai chegar a tempo e em quantidade suficiente para acabar com o racionamento no Agreste.
 
"É uma obra importante, mas parece que tem mais gente torcendo para que ela não aconteça do que para que ela aconteça. O projeto foi feito pelo Ministério da Integração Nacional e eu acredito que os projetos fizeram um estudo baseado em fatos concretos. Cada estudioso tem uma tese diferente. Eu acredito em quem fez o projeto", reitera.
 
Gomes disse ainda que o rompimento da barragem de Barreiro, que já foi consertada, não vai provocar nenhum atraso prolongado. Segundo ele, a água chegará a Monteiro até sexta-feira (10). "[O atraso] é coisa de três a cinco dias", ressaltou.

 


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