Vida Urbana

Tráfico de drogas e alcoolismo no Campus da UFPB em João Pessoa

Reitoria confirma o problema. Área mais abordada para a venda de drogas é o CCHLA.



Rizemberg Felipe
Rizemberg Felipe
Praça da Alegria muitas vezes é usada para o consumo de álcool

Venda de drogas ao ar livre, independente do horário, circulação de pessoas armadas, vandalismo e tentativas de assalto. Essa realidade se refere ao que está acontecendo no Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na capital. No espaço onde o propósito é a disseminação do conhecimento, a tranquilidade de estudo ao ar livre está ameaçada pela presença de traficantes.

A informação é do reitor em exercício da UFPB, Eduardo Rabenhorst e foi confirmada a partir de relatos de servidores, estudantes e da Polícia Militar (PM). Segundo ele, o consumo de drogas ilícitas, como a maconha, dentro da instituição sempre existiu. Contudo, o uso abusivo e desregrado dessa e de outras drogas ilegais tem aumentado ao ponto de atrair a presença de traficantes para o campus.

“Tivemos episódios recentes, como as prisões que aconteceram no Domingo de Páscoa (27 de março), que nos levaram a ter uma preocupação maior com o que está acontecendo. Esses episódios estão ligados ao consumo de substâncias entorpecentes, lícitas e ilícitas. A presença, comunicada pela polícia, de traficantes dentro da instituição. Pessoas que agem aqui dentro. Então, onde há consumo, há tráfico”, explicou o reitor.

Ainda segundo Rabenhorst, a ação de traficantes está acontecendo em vários locais da UFPB. No entanto, a área mais abordada para a venda de drogas ilícitas é o Centro de Ciências Humanas Letras e Artes (CCHLA). “Há outras áreas onde temos relato de consumo e tráfico de drogas. Às vezes, o estudante em determinado setor da universidade faz uso de uma droga, que pode ser estigmatizada, ilegal. Em outras, há estudantes que fazem uso de outras substâncias lícitas, como o álcool, mas igualmente danosa”, relatou Rabenhorst.

O tráfico na área do CCHLA, sobretudo no espaço conhecido como ‘Praça da Alegria’, é confirmado pela diretora do Centro, Mônica Nóbrega a partir de relatos de professores que se sentiram intimidados pelos criminosos.

“Já aconteceu de professores estarem aqui no sábado, para fazer pesquisas e trabalhos, e ver gente armada, em motos, como que intimidando. A Praça da Alegria tem sido esse espaço de preocupação. Temos relatos de pessoas que deixaram de frequentar a praça por conta disso. A comunidade deve participar da universidade, mas não para o tráfico de drogas”, frisou a professora Mônica Nóbrega.


Instituição fará ações

Para reduzir o consumo de drogas dentro da universidade, o reitor Eduardo Rabenhorst informou que a instituição está planejando ações de enfrentamento. Segundo ele, a iniciativa será interdisciplinar e contará com professores e pesquisadores no assunto, além de psicólogos, assistentes sociais e profissionais da área de saúde e direitos humanos.

“O tráfico de drogas precisa de outro enfrentamento, porque não estamos mais lidando com a questão de liberdade, autonomia. Estamos lidando com uma criminalidade que tem outras raízes e outras consequências, como a presença de pessoas armadas dentro da instituição, que é uma coisa inaceitável. Vamos ter um olhar sobre as drogas que não seja somente policialesco, mas tratar como um problema que merece uma análise muldisciplinar e trabalhe com os próprios pilares da universidade”, explicou Eduardo Rabenhorst.

Por sua vez, a diretora do CCHLA, Mônica Nóbrega, adiantou que dentro dessas ações está a criação de um fórum para discutir o enfrentamento às drogas com os estudantes e servidores da universidade e ainda reorganizar a ‘Praça da Alegria’. “Queremos que a praça volte a ser a ‘Praça da Alegria, um espaço para o lazer, para discussões. As pessoas da comunidade querem vir para cá, querem participar, por que não? Não é que a praça seja fechada. Mas vamos reorganizar o espaço”, destacou.   

Polícia Militar e Polícia Federal

Os casos de tráfico de drogas no interior do campus I da UFPB é confirmado pela Polícia Militar e já está em investigação pela Polícia Federal (PF). Conforme informações da Delegacia de Entorpecentes da PF, a venda de drogas no interior da universidade está sendo apurada em conjunto com o tráfico que existe na área do bairro Castelo Branco, onde a instituição está localizada.

Por sua vez, o comandante do Batalhão de Polícia Ambiental (BPAmb), major Tibério Leite, explicou que o problema do tráfico na universidade foi confirmado a partir de prisões e apreensões realizadas no local. O major revelou ainda que houve constatação de outros delitos no interior do campus, como arrombamentos a veículos e assaltos e citou a última ocorrência flagrada pelo Batalhão, no último dia 27, quando sete pessoas foram presas na ‘Praça da Alegria’.

“Dentre eles havia um indivíduo que confessou participação em assalto a um tenente-coronel da Polícia Militar em que, no ato, foi roubada uma pistola de calibre .40 e R$ 1 mil. Segundo o próprio assaltante, a arma teria sido negociada e trocada por entorpecentes dentro do campus da UFPB. Há registros de assaltos a três vigilantes dentro do campus, dos quais foram subtraídas suas armas e coletes balísticos, bem como arrombamentos de veículos, assaltos, lesões corporais, dentre outros delitos”, relatou o major.

O comandante do BPAmb alegou ainda que a Polícia Militar atuar no interior do campus quando é solicitada.

 


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