Vida Urbana

Sobrinho planejou assassinato do ex-prefeito Expedito Pereira por dinheiro, revela polícia

Autoridades também contaram quem foi o executor dos disparos e mais detalhes do crime.




Foto: Sílvia Torres/TV Cabo Branco

O suplente de vereador Ricardo Pereira foi o mentor intelectual do assassinato do tio, o ex-prefeito de Bayeux, Expedito Pereira. Ele teria planejado e auxiliado os outros dois suspeitos de participação no crime, com o propósito de se apropriar do dinheiro da vítima, segundo a Polícia Civil da Paraíba. Os novos detalhes foram revelados em coletiva à imprensa na Central de Polícia, nesta quinta-feira (17).

De acordo com a delegada Emília Ferraz, Ricardo Pereira planejou a morte por pura ganância e imagens obtidas pela polícia mostram toda a dinâmica do crime. Ele teria alugado o carro que foi usado para pegar a motocicleta usada no atentado e que foi depois usado para que os suspeitos foragissem após o crime para o Rio Grande do Norte. Imagens também mostram que ele se encontrou logo após o assassinato com o executor.

Além disso, com tudo planejado, ele ainda teria ligado para Expedito Pereira, marcando um encontro com o intuito de tirar o tio de casa o concluir o seu plano. “Encontramos com Expedito contas de luz que seriam pagas por Ricardo Pereira, que é quem tinha o aplicativo para administrar as contas da vítima”, comentou Emília Ferraz.

De acordo com a delegada, Ricardo Pereira controlava toda a parte financeira da vítima, sendo responsável pelo pagamento das contas domésticas e da administração dos bens do ex-prefeito. Emília Ferraz contou, na coletiva, que chamou a atenção, por exemplo, que dias antes do crime, Expedito vendeu uma propriedade no Litoral Sul e outra em Bayeux e que Ricardo Pereira participou ativamente do negócio e ficaria responsável por receber o dinheiro.

 

Executor

 

A Polícia Civil da Paraíba também revelou que Leon Nascimento foi o executor dos tiros que resultaram na morte do político. Ele teria tido o apoio logístico de Ricardo Pereira e também de Gean Carlos da Silva Nascimento, que está foragido. A polícia confirmou que ele seria o autor dos disparos com base em perícia de DNA na camisa usada por ele durante o crime, que foi abandonada em uma rua do bairro de Manaíra.

Gean Carlos teria ido com Leon Nascimento buscar a moto e também teria entregue ao executor a arma que foi usada no crime, segundo a delegada.

Na casa de Leon a polícia encontrou um cheque da conta de Expedito, mas com assinatura desconhecida pela família, e a certidão de uma clínica de propriedade da vítima. Já nas diligências de Ricardo Pereira foram encontrado apenas apenas o coldre de uma arma, algemas e notas fiscais da compra de balas.

Expedito Pereira apoiou Ricardo Pereira na campanha para vereador em Bayeux. Foto: divulgação/Intagram

Presos

 

Ricardo Pereira foi preso na tarde desta quarta-feira (16). Ele é um dos três alvos de mandado de prisão temporária com base nas investigações do assassinato. Os outros alvos dos mandados de prisão expedidos pela Justiça da Paraíba são Leon Nascimento dos Santos, que já está preso desde o sábado (12), e Gean Carlos da Silva Nascimento, que prestou depoimento sobre o caso na terça-feira (15), mas que agora se encontra foragido.

A defesa de  Ricardo Pereira disse, em entrevista à TV Cabo Branco, que ele se entregou, e informou que iria se inteirar mais sobre o caso antes de se posicionar. Ricardo vai ficar preso na Central de Polícia.

Já a defesa de Gean Carlos, o suspeito que ainda não foi preso, criticou a expedição do mandado e disse que ele vai permanecer foragido “pois tem a plena convicção de sua inocência”. Os advogados afirmaram que entraram com um pedido de habeas corpus e de revogação da prisão temporária.

Leon Nascimento dos Santos, o primeiro suspeito preso está negociando um acordo de delação premiada para contar tudo o que sabe sobre o caso.

Expedito Pereira foi assassinato com dois tiros em uma rua de Manaíra, em João Pessoa. Foto: Plínio Almeida/TV Cabo Branco

Crime  e investigação

 

Expedito Pereira foi executado à queima-roupa enquanto caminhava a pé e sozinho em uma avenida do bairro de Manaíra, em João Pessoa, no dia 9 de dezembro. Um homem pilotando uma moto preta atirou duas vezes, atingindo o ex-prefeito no braço e no tórax. Expedito acabou morrendo no local do crime.

Em coletiva, na segunda-feira (14), o delegado Vitor Melo, responsável pelas investigações do caso, confirmou que já tinha identificado dois suspeitos pelo assassinato. Um deles, Leon Nascimento, já estava preso desde o sábado, por conta de mandado de prisão em aberto por outro crime. Um outro já tinha sido identificado, mas ainda não tinha sido localizado. Esse segundo suspeito, Gean Carlos, se apresentou à polícia na terça, mas preferiu ficar calado no depoimento.

De acordo com Vitor Melo, os dois suspeitos teriam tomado de empréstimo a moto utilizada no crime. Ambos trabalhavam para Ricardo Pereira, sobrinho de Expedito e eleito suplente de vereador em Bayeux. Na coletiva, o delegado disse que Ricardo já tinha sido convocado para prestar esclarecimentos e disse que a polícia estava investigando qual seria a relação dele com o crime.

Segundo o advogado de Gean, ele apenas teria repassado a moto usada no crime, do dono do veículo para Leon Nascimento.

Ainda segundo o delegado, a polícia chegou aos envolvidos através de um trabalho que contou com apoio da Semob-JP e PRF, inclusive com a identificação do local em que o suspeito teria abandonado a motocicleta e a camisa utilizada durante o crime. “Com a identificação do veículo, a nossa equipe encontrou o proprietário e ele foi levado á delegacia para prestar depoimento. Na delegacia ficou claro que ele não estava com o veículo no momento dos fatos”, contou.


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