Vida Urbana

Sindicato e Trauma trocam acusações sobre demissão de médicos na unidade

Enquanto sindicato acusa hospital de descartar profissionais; Trauma rebate.




O desligamento de médicos no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, o maior da Paraíba, pode resultar em uma briga judicial. O Sindicato dos Médicos do Estado (Simed) está cobrando que a direção da unidade, que é administrada pela Cruz Vermelha Brasileira, reveja a medida. Caso contrário vai buscar a Justiça, Ministério Público da Paraíba e ainda o Conselho Regional de Medicina (CRM). Para a entidade, as demissões vão comprometer a qualidade dos serviços prestados à população.

O JORNAL DA PARAÍBA teve acesso a um memorando encaminhado pela diretora do Trauma, Sabrina Bernardes, ao coordenador da cirurgia-geral do hospital, Carlos Franca. No documento, ela solicita o redimensionamento da equipe do setor e deixa claro que a escala de trabalho será reduzida a partir de quarta-feira, 1º de novembro, pois alguns profissionais não tiveram seus contratos renovados. O documento, no entanto, não informa quantos médicos seriam desligados. As mudanças seriam baseadas em um novo contrato de gestão firmado entre a Secretaria de Saúde e a Cruz Vermelha em julho de 2017.

O que diz o Trauma

A reportagem entrou em contato com a direção do Trauma para tentar entender melhor a questão das demissões dos médicos contratados, questionando a quantidade de desligamentos e em quantos setores eles ocorreram. A diretora Sabrina Bernardes se posicionou por meio de uma nota, divulgada pela assessoria de imprensa, mas não respondeu às perguntas. Ela afirma que está “indignada” com o Sindicato dos Médicos.

“Não houve, não há e não terá redução de serviços prestados e nem da qualidade do atendimento”, diz na nota. “A nota [do Simed] trata apenas de questões corporativas e desconectadas do real interesse público, completa Sabrina. Para a diretora, o Sindicato dos Médicos tenta macular a imagem do Trauma, “na tentativa sórdida de induzir a população a engano”.

O que diz o Simed

O Simed afirma que a direção do Trauma está descartando médicos idosos, experientes e renomados, que atuam no hospital desde a fundação. A entidade argumenta ainda que a direção não pode alegar a questão econômica como justificativa, pois segundo dados do Sistema de Acompanhamento dos Recursos da Sociedade (Sagres), do Tribunal de Contas do Estado (TCE), entre 2011 e 2017, o repasse mensal subiu de R$ 6,3 milhões para R$ 12,9 milhões.

“Não é admissível que ocorra redução do quadro de médicos, pois isto, além de comprometer a qualidade dos serviços à população, é um claro desrespeito à categoria médica, que se dedica diuturnamente a salvar vidas e não pode simplesmente ser descartada como uma seringa usada como vem fazendo a atual gestão da Cruz Vermelha”, diz um trecho da nota do Simed.

 


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