Vida Urbana

Sindicato denuncia problemas nas unidades de IML da Paraíba

Segundo nota, os intitutos sorem com problemas estruturais que comprometem os trabalhos e com falta de material que atrasa resultados.




Da Redação

Os institutos de Medicina Legal da Paraíba passam por graves problemas estruturais que comprometem o bom andamento dos trabalhos e colocam em risco os resultados. Esta denúncia foi feita na manhã desta quinta-feira (18) por meio de nota enviada à imprensa pela Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (Aspol) em nome dos associados que trabalham nos IMLs.

Entre os problemas, que acontecem em João Pessoa, Campina Grande e Guarabira, estariam pisos desgastados que oferecem risco de quedas e acomodação de bactérias; janelas sem telas de proteção, o que permite a entrada de insetos que afetam o processo de decomposição dos cadáveres e comprometem a higiene; e a falta de equipamentos como o aparelho de Raio-X fazem com que procedimentos simples como localizar uma bala num corpo leve muito mais tempo que o necessário.

Outra reclamação é a de falta de material. "A falta de material põe em risco a saúde dos profissionais, atenta contra a legislação que determina o uso de Equipamentos de Proteção Individual e torna o serviço mais lento e de pior qualidade". Faltam luvas, batas descartáveis, faixas de gaze e até material de limpeza, tanto para desinfecção de equipamentos quanto para a assepsia dos profissionais.

Confira a nota na íntegra abaixo:

SEGUE CÓPIA DE DENÚNCIA ENCAMINHADA A ESTA ENTIDADE PELOS ASSOCIADOS PERTENCENTES AOS QUADROS DO IML. MAIS UM ABSURDO DA SEGURANÇA.

Síntese dos problemas nas unidades do IML no Estado.

1) Problemas estruturais

As condições de infra-estrutura dos IML’s são lastimáveis. Em Campina, boa parte do prédio tem rachaduras enormes, faltam lâmpadas, colchões em parte dos dormitórios. Existe, ainda, uma discriminação com os permanentes e motoristas, de modo que os quartos destes profissionais têm camas velhas, colchões rasgados, enquanto os quartos dos peritos têm geladeira, ar-condicionado, camas novas e chuveiro quente. Nós, necrotomistas, deixamos de dormir no quarto que era reservado para nós, e dormimos nos quartos dos peritos ou em casa.

O piso da sala de necropsia está desgastado, o que pode provocar acidentes e acomodar bactérias. Um ponto muito sério: as janelas da sala estão sem as telas de proteção para evitar a invasão de moscas que, além de afetar a higiene, aceleram o processo de decomposição dos cadáveres. E, o pior: Campina Grande, assim como Patos e Guarabira, não conta com um mísero equipamento de Raio-X. Isso implica em dois problemas: cadáveres de pessoas mortas a tiro demoram muito mais para ser liberados, muito mais mesmo, porque é preciso achar o projétil, e isso depende da habilidade do necrotomista e da sorte. Além disso, para achar as balas, o necrotomista praticamente mutila o cadáver, o que atenta contra a norma de manter, ao máximo possível, a condição estética do cadáver. Alguns são praticamente retalhados.

Os problemas com estrutura são semelhantes em João Pessoa. Em Guarabira, essa realidade é ainda pior. Em algumas salas, as portas apodreceram. É o que acontece na sexologia, por exemplo.

2) Falta de material

Esse é o ponto mais crítico dos IML’s. A falta de material põe em risco a saúde dos profissionais, atenta contra a legislação que determina o uso de Equipamentos de Proteção Individual e torna o serviço mais lento e de pior qualidade.

Falta o mais básico na necropsia: luvas!!! A maioria desse material é composto por LUVAS DE PROCEDIMENTO, recomendadas apenas para exames e procedimentos externos, como tarefas realizadas em hospitais por técnicos em enfermagem (como limpar ferimentos, fazer pequenas suturas..). Jamais, entretanto, para procedimentos cirúrgicos, como é o caso das necropsias. Para estes casos, é imperioso o uso de LUVAS DE CIRÚRGICAS, que são estéreis e impermeáveis. O caso, lógico, é que as luvas de procedimento são bem mais baratas.

Falta, também, quase sempre, as batas descartáveis, que protegem os braços e o tronco de necrotomistas e peritos.

Falta faixa (gases) para reconstituição do cadáver. E as que chegam são da PIOR QUALIDADE POSSÍVEL, também por questão de custo, claro. Por isso, alguns cadáveres são entregues com ferimentos horríveis expostos ou mesmo com sangramento, porque faltam gases para enfeixamento ou tamponamento.

Outro ponto gravíssimo: falta material para assepsia dos profissionais e mesmo dos equipamentos. A sala de necropsia, em geral, é "limpa" com desinfetante, daquele de garrafas de dois litros, que são ineficazes para exterminar as bactérias presentes naquele espaço. E não há nada para assepsia dos profissionais. Quem quiser, que leve o seu de casa…

3) Falta de material humano

Nas cidades de Patos e Guarabira, os necrotomistas são obrigados a desempenhar duas funções, sem receber a mais por isso. Eles atuam como permanentes (que são aqueles atendentes) e necrotomistas. Isso leva estas pessoas a um estado de fadiga impressionante, porque trabalham em plantões dividindo-se entre a portaria e a sala de necropsia. E é ilegal esse acúmulo de atividades.

A falta de equipe de apoio faz com que alguns médicos homens se recusem a fazer exames como conjunção carnal, porque não aceitam ficar sozinhos na sala de sexologia para examinar as pacientes (e nem devem mesmo). E, no caso de Guarabira, essa sala praticamente nem tem porta.


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