Vida Urbana

Insônia: quando alguns minutos a menos de sono podem significar muito...

Mais da metade dos brasileiros dorme entre 4 e 6 horas por noite.




Uso de equipamentos eletrônicos antes de dormir afeta o sono

Uso de equipamentos eletrônicos antes de dormir afeta o sono

Quando chega a hora de dormir, parece que tudo conspira contra – é rede social, série de TV, filme, internet…. Se é difícil pegar no sono, garanto que é muito pior acordar no dia seguinte. Eu mesmo luto diariamente com a cama para adormecer e enfrento uma guerra na hora de deixá-la pela manhã.

Os minutos a menos de sono se acumulam e passam a ter impacto não somente no dia seguinte, quando você precisa brigar para ficar acordado, mas também na saúde de uma forma decisiva. As horas a menos de sono hoje significam anos a menos de vida no futuro.

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Neurologia mostrou que mais da metade dos brasileiros dorme entre quatro e seis horas por noite, bem abaixo do que é recomendado (sete a nove horas para um adulto; dez horas para os adolescente e até 11 horas para crianças em idade escolar). A média de tempo que o povo passa dormindo por aqui, no Brasil, é de 7h36min – somos um dos povos que menos dormem no mundo, foi o que revelou uma pesquisa realizada em Michigan, nos Estados Unidos, ao comparar o sono de pessoas de mais de 160 países.

Falta de sono e mortalidade

Noites mal dormidas estão associadas a aumento da mortalidade principalmente por doenças cardiovasculares – esta é a conclusão de um estudo publicado esta semana na Revista Científica Nature, uma das mais importantes do mundo. Os cientistas fazem uma relação entre noites mal dormidas e algumas doenças como infarto, arritmias cardíacas e hipertensão arterial.

Regulação do sistema nervoso autonômico (um sistema especial que controla as respostas ao estresse no nosso corpo), alterações na parede dos vasos sanguíneos e aumento da liberação de insulina (um hormônio que controla a quantidade de açúcar no sangue), além de problemas na coagulação, poderiam estar entre as possíveis causas do estrago que aquelas horinhas a menos de sono fazem no nosso corpo. Todo o metabolismo parece estar alterado para compensar o sono acumulado, fazendo com que o estresse oxidativo necessário para reparar as células produza uma série de alterações que comprometem todo o organismo.

Em geral, nós costumamos dormir menos do que precisamos. Isso pode ser resultado de um estilo de vida muito agitado e com uma agenda cheia de compromissos. O hábito de usar aparelhos eletrônicos e ficar conectado na hora de dormir pode influenciar a qualidade do sono e isso é válido principalmente para os jovens.

Distúrbios do sono

Uma outra causa importante para noites mal dormidas são os distúrbios do sono. A insônia é um desses distúrbios e afeta cerca de 15% da população — a pessoa tem dificuldade para pegar no sono ou manter-se dormindo.

Quem também sofre durante a noite são os portadores de apneia do sono, um problema potencialmente grave em que a pessoa para de respirar por alguns segundos diversas vezes durante a noite. Muitas vezes, o problema se manifesta como o ronco durante o sono. Pessoas com apneia obstrutiva do sono podem, inclusive, não estar cientes de que têm o problema e quem se queixa é o companheiro de noite, ou os sintomas se caracterizam pela sonolência durante o dia ou a sensação de sono não restaurador. Cerca de 30% dos homens sofrem com esse problema e até 15% das mulheres.

Em um estudo com mais de 5 milhões de participantes, observou-se que os indivíduos que dormiam menos que o recomendado ou que tinham uma qualidade de sono ruim tiveram 12% mais chance de morrer. O estudo também relacionou uma taxa de 56% mais hipertensos, 26% mais infartos e 55% mais risco de desenvolver diabetes entre os insones. Houve uma relação de 45% entre as pessoas que dormiam menos e a prevalência de obesidade. Entre os adolescentes, os dados são mais assustadores. Os que dormiam menos que o recomendado tiveram 2,5 vezes mais chance de se tornarem hipertensos e quase 97% a chance de se tornarem obesos.

A partir de agora, precisamos encarar o sono como um importante fator de risco para doença cardíaca. Afinal, umas horinhas a mais de sono agora podem significar anos lá na frente.

Dicas de como ajudar o sono

Preservar bons hábitos na hora de dormir é fundamental. Tente ter um horário certo para dormir, evite alimentos como café ou estimulantes antes de dormir, não coma muito antes de se deitar, mantenha uma rotina de atividade física, escolha um ambiente tranquilo e agradável para dormir, evite aparelhos luminosos como TV e celulares no quarto, pense na qualidade do colchão e do travesseiro. Se nada disso der resultado, você pode procurar um médico especialista em sono – ele pode ajudar você a resolver muitos problemas.

* André Telis é médico cardiologista, colunista de Saúde na CBN João Pessoa e escreve sobre o tema às quartas-feiras no Jornal da Paraíba


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