Vida Urbana

Dor de cabeça: Brasil é campeão em registros; veja dicas de tratamento e como

15 milhões de brasileiros convivem todo dia com essa sensação




Enxaqueca dor de cabeça (Foto: Rizemberg Felipe/Arquivo)

Enxaqueca (Foto: Rizemberg Felipe/Arquivo)

O Brasil é o país campeão da dor de cabeça: 15 milhões de brasileiros convivem todo dia com essa sensação e 97% das pessoas tiveram pelo menos um episódio no último mês. Motivos não faltam: crise financeira, conflitos, desemprego… podia passar o dia aqui enumerando as situações que têm deixado o povo estressado. A situação é tão complexa que a Associação Mundial do Controle do Estresse classificou o Brasil como o segundo país mais estressado do mundo, atrás apenas do Japão e esse pode ser um dos motivos que têm feito as cabeças doerem tanto.

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A gente acabou se acostumando a ter dor de cabeça e sempre que ela bate à nossa porta, aquele comprimido guardado na farmacinha de casa acaba sendo a solução mais fácil. Uma pesquisa do Ibope encomendada por um laboratório farmacêutico revelou que 91% das pessoas se automedicam. Outras não gostam de tomar remédio, optam por relaxar, dormir, e ficar sozinhos para aliviar os sintomas. O recomendado é procurar um médico, a dor de cabeça pode ser manifestação de uma problema bem mais sério e você, ao se automedicar, pode estar apenas tapando o sol com uma peneira.

Dor de cabeça mais de três vezes em um mês que obrigam você a tomar remédio são indicativos que algo mais sério pode estar ocorrendo. Nesses casos, o ideal é procurar um médico especialista e investigar as causas do problema.

Existem mais de 200 tipos de dor de cabeça e o tratamento pode ser diferente para cada um. Elas podem ser sinal de estresse, problemas emocionais e podem resultar de uma doença importante como enxaqueca, pressão alta, ansiedade e depressão.

Dor de cabeça x Enxaqueca

Tem gente que acha que enxaqueca e dor de cabeça são sinônimos. Na verdade, a enxaqueca é uma situação em que as células cerebrais respondem de forma desordenada a determinados estímulos. Alguns gatilhos como alimentos embutidos, queijos, vinho tinto, molhos, falta de sono, estresse e tensão pré-menstrual podem desencadear as crises, que ocorrem devido à produção anormal de várias substâncias cerebrais como serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato.

O tipo mais prevalente de cefaleia, o nome que os médicos dão à dor de cabeça, é a cefaleia tensional. Ela está sempre ligada a situações de estresse e tensão muscular, rigidez dos músculos do pescoço, das costas e do couro cabeludo, devido a diversos fatores como má postura, estresse, ansiedade ou uma noite mal dormida.

No caso da enxaqueca, o problema é que para tentar controlar as crises o paciente usa e abusa de analgésicos. O corpo vai se acostumando e vai exigindo doses cada vez maiores de medicamentos para resolver o problema.

Sintomas da enxaqueca

A dor de cabeça é apenas um sintoma da enxaqueca. Ela começa bem devagar, geralmente um lado da cabeça, pode ser forte, moderada ou do tipo pulsante. Ela geralmente vem acompanhada de náuseas, vômitos e de dificuldade para tolerar ambientes luminosos. Muita gente sofre tanto durante a crise que precisa parar no pronto-socorro para tomar medicamentos na veia.

Quem tem enxaqueca sabe: a dor de cabeça não só nos afasta da luz e do barulho, mas também de rotinas e obrigações. Como se isso não bastasse, cientistas dinamarqueses e americanos acabaram de descobrir que a condição está relacionada a um risco maior de desenvolver AVC e infarto.

Se você sofre de enxaqueca há muito tempo, é importante saber que a doença requer medicamentos específicos prescritos por um médico especialista e é necessário ficar longe de todas as situações que desencadeiam as crises. É preciso paciência até ajustar o tratamento, o que nem sempre é fácil, pois o medicamento indicado como primeira escolha pode trazer efeitos colaterais e não ser adequado para o paciente.

Uma questão fundamental é rever seu estilo de vida. Hábitos alimentares inadequados, sedentarismo, além de um trabalho estressante só ajudam a intensificar as crises.

* André Telis é médico cardiologista, colunista de Saúde na CBN João Pessoa e escreve sobre o tema às quartas-feiras no Jornal da Paraíba


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