Vida Urbana

Meningite: doença é grave, pode deixar sequelas e mata até 20% dos portadores

Morte do neto do ex-presidente Lula, Arthur José, de 7 anos, trouxe mais um motivo de preocupação.




Todo pai costuma ficar atento à saúde dos filhos. Dor de cabeça e vômito sempre foram sintomas preocupantes. Agora alie-se a isso febre alta, dor na nuca tão forte que ele mal consegue encostar a queixo no peito e, para piorar, alteração do nível de consciência. O quadro é dramático e muitos pensam logo na doença que tem tirado o sono de muita gente nessa época do ano: meningite.

A morte do neto do ex-presidente Lula, Arthur José, de 7 anos, trouxe mais um motivo de preocupação para pais e mães em todo o país. A doença é grave, pode deixar sequelas e mata até 20% dos portadores. Motivos não faltam para que a procura pela vacina contra a meningite tenha aumentado em postos de saúde e clínicas de vacinação. Segundo o Ministério da Saúde, um aumento de até 80% no Brasil.

O que é meningite

Para a gente entender a doença: a meningite é uma inflamação que ocorre nas membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Essas membranas recebem o nome de meninges, daí o nome meningite.

Diversos germes podem causar a doença, entre eles vírus, bactérias e protozoários. No Brasil, 45% dos casos são causados por vírus, 26% por bactérias, sendo que 11% pela Neisseria meningitidis – conhecidas como meningite meningocócica, a mesma que vitimou Arthur.

Existem 13 sorogrupos identificados de Neisseria meningitidis, porém os que mais frequentemente causam doença são o A, o B, o C, o Y e o W135. No Brasil, o sorotipo que mais circula é o C.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2018 foram registradas 1.072 ocorrências de doença meningocócica no Brasil e 218 mortes. O sorogrupo C é o principal causador de doença meningocócica no brasil, responsável por cerca de 60% dos casos.

Sintomas de meningite

Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos: no começo parece uma gripe com febre, mal-estar, vômitos e dor de cabeça. Mas pela gravidade da doença, a evolução é muito rápida – pode matar em horas. Sintomas como febre, dor de cabeça e vômitos são alertas. Quando atingem crianças, nota-se que elas ficam “molinhas”. Se aparecerem manchas no corpo, é sinal que a doença já ganhou a corrente sanguínea e generalizou-se.

Como acontece o contágio

O contágio pode se dar pelo ar e basta estar no mesmo ambiente que a pessoa contaminada para ter uma chance de adoecer.

A meningite é mais comum em crianças com menos de 5 anos e em adultos com mais de 60 anos. Isso se deve pela imaturidade do sistema imunológico nas crianças e pela diminuição do sistema imune nos mais idosos e em pessoas com doenças autoimunes como AIDS, lúpus ou câncer. Outros fatores que alteram o comportamento do sistema imunológico e aumentam o risco de contrair meningite são beber frequentemente bebidas alcoólicas, tomar remédios imunossupressores, usar drogas, não ter feito vacinação, especialmente contra a meningite, sarampo, gripe ou pneumonia e estar fazendo tratamento contra o câncer.

Vacinas são a melhor forma de proteção contra a doença

Com base em estudos epidemiológicos que analisaram os tipos de bactéria que mais causaram a doença no país no último ano e como o sorotipo C da Neisseria meningitidis foi o mais comum, a vacina contra o sorotipo C está contida no Programa Nacional de Imunizações e é gratuita para todas as crianças nos postos de saúde. Ela deve ser dada aos 3 meses de vida, com outra dose aos 5 meses e o reforço depois de um ano. Também pode ser dada mais uma dose aos 4 anos. Aos 12-13 anos está indicado outro reforço.

A vacina contra os outros tipos (ACWY e contra o meningococo b) estão disponíveis em clínicas particulares. A vacina ACWY segue o calendário da vacina contra o meningococo C, já a vacina contra o meningococo B deve ser dada em 3 doses ao longo do primeiro ano de vida, com intervalo de 2 meses entre as mesmas. Depois de 1 ano, deve-se fazer uma dose de reforço. Quem não fez as doses antes de 1 ano pode fazer 2 doses, com intervalo de 2 meses entre elas.

No caso dos sintomas listados anteriormente, procure auxílio médico o quanto antes para que o tratamento seja instituído o mais rápido possível para diminuir o risco de sequelas neurológicas.

Outras vacinas disponíveis no SUS

  • Vacina pneumocócica 10-valente (protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite pneumocócica)
  • Pentavalente (protege contra doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo b, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite b)
  • BCG (protege contra as formas graves da tuberculose, incluindo a meningite causada pelo germe da tuberculose).

Como evitar pegar meningite

  • Lavar as mãos frequentemente, especialmente antes de comer, depois de usar o banheiro ou depois de estar em locais com muita gente;
  • Evitar partilhar comida, bebidas ou talheres;
  • Não fumar e evitar locais com muita fumaça;
  • Evitar o contato direto com pessoas doentes;
  • Manter calendário vacinal em dia.

* André Telis é médico cardiologista, professor do curso de medicina da UFPB, colunista de Saúde na CBN João Pessoa e escreve sobre o tema no Jornal da Paraíba


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