Vida Urbana

Doenças de pele no verão: provocadas pelo excesso de sol não são principal problema

Procura por dermatologistas aumenta em até 50% entre janeiro e fevereiro.




O verão tá aí e com ele a preocupação com os casos de doenças de pele que parecem se multiplicar em temperaturas mais altas. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a procura por dermatologistas aumenta em até 50% entre janeiro e fevereiro em relação aos demais meses do ano. E ao contrário do que se imagina, queimaduras provocadas pela exposição excessiva ao sol não são o principal motivo que leva as pessoas a procurar um dermatologista.

Piscina, praia e transpiração

Calor e umidade: esta combinação é responsável pelo aparecimento de muitas doenças de pele no verão, que interferem na saúde de quem quer aproveitar os dias mais quentes do ano. Por isso, é importante ficar ligado nas dicas.

Parece que piscinas e praias são os únicos lugares em que o calor tem dado um pouquinho de trégua e esses são alguns dos cenários mais propícios para doenças de pele. É comum o aumento da transpiração e da umidade do corpo com isso, tornam-se mais frequentes os casos de micoses, frieiras e infecções, além de irritações na pele como brotoejas e alergias de contato. As pessoas alérgicas costumam sofrer ainda mais com o calor.

As bactérias e os fungos são os principais vilões da pele. E se você costuma usar roupas úmidas por longos períodos, sai da água e não troca de roupa e principalmente em locais públicos onde a chance de contato com esses agentes é maior, você pode estar contribuindo com eles.

Quando procurar um dermatologista?

Ao notar alguma alteração na pele, você deve procurar auxílio de um dermatologista para fazer o diagnóstico correto e o tratamento mais indicado. Não dá para usar receitas caseiras: elas podem inclusive piorar os sintomas e, como muitas doenças são parecidas, alguns tratamentos não surtem nenhum efeito.

O uso de determinados cosméticos, assim como contatos com plantas ou sucos (principalmente de limão), em combinação com exposição solar, desencadeia uma erupção denominada fitofotodermatose, uma espécie de queimadura solar que pode ocasionar bolhas e manchas duradouras na pele afetada.

Nessa época, a mistura de calor, suor e protetor solar aumenta a oleosidade da pele e favorece o aparecimento de bolinhas nos ombros, peitos e costas, com ou sem a presença de pus. O simples fato de lavar sempre a pele diminui a oleosidade e a acne solar tende a ir melhorando gradativamente. Por isso, beber bastante líquido, manter a pele hidratada e protegida do sol, além de lavar o rosto várias vezes pode ser a medida mais eficaz para manter a pele saudável.

Mantenha a imunidade alta

Não custa dizer que manter uma alimentação saudável e uma noite de sono tranquila são formas de manter a imunidade em alta. Praia é sinônimo de muito sol, ingestão de álcool, alimentos fritos e desidratação, a combinação perfeita para a queda da imunidade e o aparecimento da herpes labial, uma infecção viral e contagiosa com a presença de pequenas bolhas doloridas.

Mesmo o uso do protetor solar não inibe o avanço da doença. Os sintomas desaparecem entre uma e duas semanas. Medicamentos antivirais e pomadas podem ser prescritos por um médico para aliviar a dor e cicatrizar as lesões. O vírus pode apresentar novos episódios sempre que a imunidade baixar.

Além de tudo isso, o contato com a areia de praias frequentadas por cães e gatos favorece a chance de contrair larva migrans (bicho geográfico), pois elas encontram-se nas fezes dos animais. Além disso, existe o risco de contrair a tunga penetrans (bicho do pé).

E quem trabalha no sol?

E quem não tem escolha, precisa trabalhar nesse calor e muitas vezes com roupas quentes, sapatos fechados?

O uso de protetor solar diariamente, o rodízio das botas e luvas de EPI (equipamento de proteção individual) diariamente, meias de algodão com troca diária, sempre passar álcool em gel no interior do capacete ao final do expediente e trocar a toalha de banho a cada dois dias são formas de manter a saúde na pele.

* André Telis é médico cardiologista, professor do curso de medicina da UFPB, colunista de Saúde na CBN João Pessoa e escreve sobre o tema às quartas-feiras no Jornal da Paraíba


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