Vida Urbana

Projeto de música clássica muda cotidiano de crianças carentes

 Projeto ‘Ação Social pela Música do Brasil’ está beneficiando 80 crianças do bairro Alto do Mateus, na capital paraibana.



Francisco França
Francisco França
Violinista holandesa Noa Wildschut se apresentou ontem no núcleo do projeto

“A música representa um futuro melhor para mim, para minha família e quando eu crescer vou ser uma grande musicista e ajudar minha mãe e meu pai”, respondeu Thamires Alves da Silva, 11 anos, ao ser indagada pela reportagem sobre a importância da música em sua vida. Ela integra o universo das 80 crianças que fazem parte do projeto ‘Ação Social pela Música do Brasil’, do núcleo João Pessoa,que funciona no bairro do Alto do Mateus.

Na tarde de ontem, as crianças do núcleo social receberam as visitas do violinista Alberto Johnson (brasileiro naturalizado holândes), e da violinista holandesa Noa Wildschut. Além disso, eles também se apresentaram, na noite do último domingo, na abertura do 3º Festival Internacional de Música Clássica de João Pessoa, na Igreja São Francisco. Na ocasião, as crianças da ação social também tocaram e despertaram a curiosidade dos artistas.

“Eles ficaram encantados com as nossas crianças e vieram conhecer o local onde elas têm aulas, os instrumentos e como é feito o processo de aprendizagem. O projeto já existe no Rio de Janeiro há 20 anos, com o mesmo sistema que acontece na Venezuela, que já está há mais de 40 anos. O núcleo de João Pessoa é o mais novo espaço de expansão do projeto no Brasil. Temos quatro meses de atividade e já possuímos uma lista de espera com 42 crianças aguardando uma vaga,”  contou Hector Rossi, coordenador artístico do projeto Ação Social pela Música, núcleo João Pessoa.

A estudante de 13 anos Rafaela Soares também integra o projeto, que atende crianças de 6 a 16 anos de idade. Há quatro meses ela toca violino e alimenta sonhos de ser uma musicista profissional. “Foi a primeira vez que toquei um instrumento musical, meu primeiro contato com a música. A música representa a minha vontade de querer cada vez mais crescer”, ressaltou.

Conhecendo cada espaço, sala e perguntando detalhadamente sobre as aulas que as crianças têm, a violinista de apenas 14 anos Noa Wildschut revelou em sua passagem pelo projeto que é gratificante ver crianças de tão pouca idade aprendendo a vivenciar a música. ‘É muito bom iniciar a tocar quando é novo, muito bom ver o desenvolvimento da criança e o desenvolvimento humano. Esse projeto é realmente fantástico e é muito bom fazer parte dele”, pontuou Noa Wildschut. Ela começou os estudos aos 4 anos, no Conservatório de Amsterdã e apresentou-se com músicos como Anne-Sophie Mutter, Menahem Pressler e Janine Jansen.

Já o violinista Alberto Johnson frisou que as apresentações da abertura do Festival se basearam no projeto social e nos sonhos das crianças. “Nada melhor do que ser inspirado por um projeto como esse, e ao mesmo tempo servir de inspiração para essas crianças, que têm um lindo futuro pela frente. Porque pode existir um futuro e eles têm o direito de ter oportunidades de um futuro melhor. Para a gente é muito gratificante poder fazer parte desse contato com essas crianças, porque eles são nosso futuro público e têm o direito de receber um futuro digno, e através da música eles podem conseguir muitas coisas. A partir desse projeto é possível formar grandes músicos. Já andei falando com os coordenadores e eles dizem que já se deram conta de que existe muito talento aqui, algumas crianças que já estão se sobressaindo”, mencionou entusiasmado.

A Ação Social pela Música do Brasil nasceu há 21 anos, fruto da ideia do maestro David Machado, que morreu precocemente aos 57 anos. Em 1994, inspirado no programa de formação musical venezuelano El Sistema. David Machado havia fundado a Organização Não-Governamental Ação Social pela Música. Desde a sua morte, o projeto tem sido tocado pela viúva, a violoncelista Fiorella Solares. O Ação Social montou o primeiro núcleo no bairro do Alto do Mateus, onde crianças estão aprendendo a tocar instrumentos de corda (violino, viola, violoncelo e contrabaixo), em jornada complementar à escolar.

 

Mais núcleos

O foco do projeto é implantar futuramente mais núcleos na cidade de João Pessoa, com a construção de centros localizados nas áreas menos privilegiadas. A entidade coordena atualmente nove outros núcleos no Sudeste e Norte: cinco na capital carioca (nos morros do Chapéu Mangueira, Dona Marta, Complexo do Alemão, Macacos e Cidade de Deus, englobando 19 comunidades pacificadas), além de Petrópolis e Piraí (RJ), e Ji-Paraná (RO).

 Programação do 3º Festival Internacional de Música

1º/12 – Terça-Feira / 10h
Local: Cejus
Masterclass de Violoncelo: Benedict Klöckner (Alemanha)
Masterclass de Violino: Joris van Rijn (Holanda)

2/12 – Quarta-Feira / 10h
Local: Cejus
Masterclass de Violino: Noa Wildschut (Holanda)
Masterclass de Piano: Yoram Ish-Hurwitz (Israel)
Masterclass de Violão: Claudio Faga (Brasil)

3/12 – Quinta-Feira / 10h
Local: Cejus
Masterclass de Viola: Frank Brakkee (Holanda)
Masterclass de Violoncelo: Michael Muller (Alemanha)

4/12 – Sexta-Feira / 10h
Local: Cejus
Masterclass de Violino: Alexander Mandl (Brasil/USA)
Masterclass de Violoncelo: Matias de Oliveira Pinto (Brasil/Alemanha)
Masterclass de Viola: Emerson de Biaggi (Brasil), Viola


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