Vida Urbana

Preso em operação da PF, filho de Beira-Mar cumpriu pena por tráfico na PB

Luan Medeiros da Costa e outros quatro filhos do traficante foram presos nesta quarta-feira.



Walter Paparazzo
Walter Paparazzo
Luan deixou o presídio PB1, em João Pessoa, em abril de 2014

Preso em João Pessoa durante a Operação Epístolas, nesta quarta-feira (24), Luan Medeiros da Costa, filho do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, já tinho sido condenado por tráfico de drogas em 2011. Ele estava solto desde abril de 2014, quando foi beneficiado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Após um ano e meio de investigações, a PF descobriu que Beira-Mar, preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, diversificou os negócios: os lucros agora vão além do tráfico de drogas. O criminoso controla máquinas de caça-níquel, venda de botijões de gás, cesta básica, mototáxi, venda de cigarros e até o abastecimento de água. A Justiça decretou a prisão de 10 parentes de Beira-Mar.

Luan tinha sido preso pela Polícia Federal em 2010, com outros dois suspeitos, em Campina Grande. O trio foi encontrado com quatro quilos de cocaína. Após a condenação, ele passou a cumprir pena no Complexo Penitenciário Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1,em João Pessoa.

A situação jurídica de Luan começou a ser alterada em dezembro de 2013, quando a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça concedeu um habeas corpus ao jovem. A corte anulou a sentença que condenava o filho de Beira-Mar, mas optou por manter a prisão negando o direito de recurso em liberdade. A defesa recorreu ao STF e o ministro Celso de Mello concedeu de forma liminar um outro habeas corpus em benefício do acusado. Depois disso foi expedido um alvará de soltura, só que havia um outro pedido de prisão contra Luan, relativo a outro processo com a mesma acusação, e ele continuou preso. No entanto, uma nova decisão da Justiça de Campina Grande extinguiu a punibilidade do acusado, no segundo processo, e Luan ganhou a liberdade em 24 de abril de 2014.

Além de Luan, outros quatro filhos de Beira-Mar foram presos pela Polícia Federal durante a Epístolas. Após ser ouvido na Superintendência da Polícia Federal em Cabedelo, ele, assim como todos os outros presos, deve se transferido para Rondônia.

O esquema de Beira-Mar

Nas investigações, a Polícia Federal descobriu que para fazer o esquema funcionar o criminoso contava com a colaboração de presos da penitenciária federal onde cumpre pena. Beira-Mar repassava bilhetes para o vizinho de cela que entregava para a mulher durante a visita íntima. A companheira do detento Cleverson Santos levava para uma digitadora, em Porto Velho. Em troca, a mulher do preso tinha estadia e transporte pagos pela quadrilha de Fernandinho Beira-mar.

(Fernandinho Beira-Mar foi ouvido na penitenciária de Rondônia durante a operação Foto: Divulgação/Depen)

Após a digitação da ordem, a digitadora enviava por email ou por mensagens de telefones celulares para integrantes da quadrilha do traficante. A cada semana, em média, um novo email era criado. Assim, Beira-mar tentou evitar o flagrante de ter algum bilhete apreendido com a sua caligrafia. Em 2010, vários bilhetes escritos pelo criminoso foram apreendidos pela polícia. Essa digitadora, que teve a prisão decretada pela Justiça, também cuidava da compra de passagens aéreas para que parentes viajassem do Rio a Porto Velho para visitar o traficante. Por semana, Beira-mar gastava R$ 20 mil em passagens aéreas.

Nas investigações da PF não se encontrou nenhum indício de participação de agentes do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) que auxiliaram nas investigações. Foi um grupo de agentes que encontraram em 2 de julho de 2015 um bilhete rasgado, escrito por Beira-Mar, nos fundos da marmita de refeição servida na unidade.

Nesse bilhete, usando códigos, Beira-Mar dá orientações para compra de telefones criptografados.
A PF confirmou que dias depois da data da mensagem Luan Medeiros da Costa foi até um shopping de Porto Velho comprar telefones celulares. Além de orientar investimentos, o traficante dá broncas na postura dos filhos e chega a afirmar que se não fossem "parentes já estariam mortos há muito tempo. Por muito menos, o Alan morreu". A frase levantou a suspeita de que a quadrilha é responsável por mortes.

Os laudos periciais mostram que os bilhetes apreendidos na cela de Beira-mar foram escritos pelo traficante.


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