Vida Urbana

População lota postos de saúde de JP com medo do zika vírus

Pacientes ‘correm’ às emergências  nos primeiros sintomas de virose, aumentando o número de atendimentos em até 40%.



Fotos: Francisco França
Fotos: Francisco França

“Estava com dor de cabeça, dor no corpo, diarreia, vômito e febre. Pensei logo que fosse zika, mas graças a Deus foi só uma intoxicação alimentar”, afirmou o estudante Isak Peixoto, 27 anos, ao sair da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oceania, no bairro de Manaíra, em João Pessoa. Assim como Isak, pacientes têm lotado as urgências das unidades de saúde da capital por medo de estarem com zika vírus. No entanto, ainda não é disponibilizado teste para confirmação ou não da doença em qualquer pessoa, apenas para grávidas. De acordo com boletim atualizado do Ministério da Saúde, divulgado ontem, a Paraíba já contabiliza 59 casos confirmados de microcefalia e/ou malformações sugestivos de infecções congênitas pelo zika vírus. 

Segundo a diretora da UPA Oceania, Thatiany Coelho, somente de janeiro até ontem, a direção da unidade registrou um aumento de 40% nos atendimentos. Ela detalhou que de janeiro a março é comum as pessoas serem acometidas por viroses, que têm alguns sintomas semelhantes aos das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, mas, com a divulgação constante sobre os casos de zika, muitos pacientes acabam confundindo esses sintomas.

“Nesses dois primeiros meses já realizamos 790 atendimentos a pessoas com sintomas de mal-estar, vômito, diarreia, que não necessariamente estiveram relacionados com zika ou dengue, mas como tem se falado muito no assunto, as pessoas acham que foram picadas pelo Aedes. No entanto, em pessoas comuns, o zika vírus tem uma manifestação de forma benigna, diferentemente do que acontece com as grávidas, que pode resultar em alterações neurológicas no bebê como têm apontado os estudos, embora ainda não tenha nada definido”, disse.

Nos hospitais particulares a situação não é diferente. As unidades identificaram um aumento de 30% na procura pela rede de pronto-atendimento por pacientes que acreditam estar com zika, segundo o presidente do Sindicato dos Hospitais Particulares do Estado da Paraíba, Francisco Santiago. Ele destacou que entre os meses de fevereiro e junho é um período em que todas as capitais do Nordeste registram aumento nos casos de virose, mas, como comentou a diretora da UPA Oceania, com a grande circulação de notícias com relação à zika, muitos desses pacientes acreditam estar com a virose. “A nossa orientação é dizer aos pacientes que essa é uma manifestação benigna em adultos, pelo que se sabe até o momento, sendo mais preocupante em gestantes”, destacou.

A reportagem tentou entrar em contato com o secretário de Saúde da capital, Adalberto Fulgêncio, contudo ele estava cumprindo agenda em Brasília. Conforme o gerente de Vigilância Epidemiológica de João Pessoa, Daniel de Araújo, os casos de zika vírus não eram de notificação compulsória até então, e só passarão a ser a partir do próximo mês, conforme determinação do Ministério da Saúde. Em nível municipal, foi feito um monitoramento de casos entre os meses de março e junho de 2015 na rede de saúde municipal e, somente neste período, 7 mil casos suspeitos surgiram. Destes, 15 casos foram selecionados para exame, dos quais 11 deram positivo, confirmando a circulação do vírus na capital.

Unidades de JP estão preparadas

O gerente de Vigilância Epidemiológica da capital ressaltou que a primeira orientação aos usuários é que se dirijam à rede de atenção à saúde mais próxima à sua casa, afirmando que todas as unidades estão prontas para receber esses pacientes. Quando o usuário chega à unidade de saúde informando sintomas semelhantes aos de dengue, zika vírus ou chikungunya, ele é conduzido clinicamente como caso suspeito para dengue, uma vez que esta apresenta, até o momento, maior gravidade, ficando em segundo plano a confirmação da diferenciação de  zika ou chikungunya.

“As amostras de sangue são encaminhadas para o Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) e são realizadas as sorologias para dengue. A negativa para esse vírus sinaliza a conclusão do caso para zika vírus, por exemplo. Detecções de zika vírus e chikungunya ainda não são realizadas no Estado da Paraíba, sendo as amostras de gestantes e demais casos prioritários encaminhados para o laboratório de referência no Estado de Pernambuco”, explicou. De janeiro a fevereiro sete gestantes foram identificadas com sintomas suspeitos de zika vírus, mas os casos ainda não foram confirmados, segundo Daniel de Araújo.

A diretora da UPA Oceania, Thatiany Coelho acrescentou que os resultados das amostras de sangue costumam chegar de 15 a 20 dias. “Se houver a confirmação para dengue ou chikungunya, entramos em contato com o paciente e os agentes de saúde são contatados para rastreamento epidemiológico. Mas até o momento, o teste para zika só está disponível para as grávidas”, observou.

 

Sintomas do zika vírus

Dor de cabeça
Febre baixa
Dores leves nas articulações
Manchas vermelhas na pele
Coceira e vermelhidão nos olhos

Outros sintomas menos frequentes são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos. No geral, a evolução da doença é benigna e os sintomas desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. No entanto, a dor nas articulações pode persistir por aproximadamente um mês. Formas graves e atípicas são raras, mas quando ocorrem podem, excepcionalmente, evoluir para óbito, como identificado no mês de novembro de 2015, pela primeira vez na história.

 


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.