Vida Urbana

Polícia investiga uso de nomes de concessionárias em golpes de vendas de carros

Segundo o delegado da DDF, os criminosos usam diferentes modalidades de crime.




DDF tem uma operação em curso para investigar as fraudes em vendas de carros (Foto: Arquivo)

Estelionatários estão usando nomes de concessionárias para aplicar golpes em vendas de veículos na Paraíba. A Delegacia de Defraudações e Falsificações de João Pessoa está investigando a prática. Os golpes acontecem por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e também em sites especializados em vendas. Uma operação em curso apura especificamente fraudes em vendas online.

De acordo com o delegado Marcos Vasconcelos, a DDF tem registrado uma série de denúncias relativas a golpes e tentativas em casos de compra e vendas de carros. E essas fraudes ocorrem de diferentes maneiras.

“Tem vários tipos de golpe. O pessoal se passa por vendedor de concessionária, por exemplo, chega e diz que é vendedor e que tem uma promoção, muita gente vai atrás da vantagem. O interessante é que só cai em golpe as pessoas que vão atrás de vantagens. Geralmente o cara chega se passando por representante de uma concessionária autorizada oferecendo um carro por um preço bem menor que o de mercado. A vítima, achando que vai ter uma vantagem, entra no golpe e perde dinheiro”, explica Vasconcelos.

O delegado pontua que em um outro modelo de fraude as concessionárias não têm apenas os nomes usados, como também são procuradas diretamente pelos golpistas. Ele relata que em três casos houve, inclusive, a emissão de notas fiscais por parte das revendedoras.

Sorteio e promoção

Vasconcelos conta como o golpe se deu em um exemplo dessa segunda situação. Segundo o delegado, o golpista ligou para uma concessionária dizendo que era de uma empresa área e queria saber se eles poderiam faturar um carro em nome da empresa, porque tinha ganhado em uma promoção de milhas. A concessionária pediu que ele mandasse o CNPJ para faturar o carro, ele mandou e o veículo foi faturado.

Na sequência, o estelionatário anunciou que tinha o carro para vender, que era 0km, pois ele tinha ganhado em uma promoção. Uma pessoa apareceu como interessado e efetivou o que ele pensou ser uma compra, repassando o dinheiro para o criminoso. O autor do golpe indicou que ele fosse até a revendedora e dissesse que era o proprietário do carro da promoção e informasse que tinha feito a negociação. Obviamente a venda não foi concluída.

“O cara paga o estelionatário, mas depois não recebe o carro, porque a concessionária vai faturar, mas quando percebe que não vai ter pagamento, ela vai suspender”, destaca o delegado.

Essas negociações acontecem principalmente via redes sociais, pelo WhatsApp e também em sites de vendas. Na grande maioria dos casos os criminosos estão fora do estado.

Políticos sendo usados em outra modalidade

Ainda no campo de vendas de veículos, existe uma outra modalidade de golpe que tem usado políticos na execução. Pelos quatro já procuraram a Delegacia de Defraudações para registrar boletibs de ocorrência sobre os casos. As vítimas do esquema, são pessoas que pensam estar conversando verdadeiramente com o político e depositam dinheiro em negociação para a compra de carro. Ao blog do jornalista Suetoni Souto Maior, uma mulher relatou que pagou R$ 32 mil a uma pessoas que se passava pelo deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB).

Uma leitora do blog, por exemplo, relatou ter perdido R$ 32 mil que pagou para um apessoa que se passava pelo deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB). Além dele, foram usados em golpes, até agora, os nomes dos vereadores de João Pessoa, Léo Bezerra (PSB), Thiago Lucena (PMN) e Durval Ferreira (PP). Este último está licenciado do cargo.

O falsário pega uma foto intima do político nas redes sociais, cria um perfil fake no WhatsApp e começa a intermediar a compra de veículos. Adotando nomes de políticos conhecidos, ele pede dinheiro adiantado para assegurar o negócio. Muita gente, fazendo uso de boa-fé, deposita o dinheiro na conta indicada.

“Hoje todo mundo tem Instagram, eu posso pegar uma foto sua, com seu filho, com seu marido, boto lá como perfil. Muita gente ver o perfil do deputado, pensa ‘ele está se comunicando comigo,quer vender um carro’, aí cai no golpe. Hoje estamos expostos à informática, todos os nossos dados”, ressalta o delegado Marcos Vasconcelos.

Operação e-golpe

Segundo o titular da DDF as investigações em fraudes de vendas de veículos estão sendo inseridas na Operação e-golpe, deflagrada em abril . Na ocasião, foram presas mais de 20 pessoas, suspeitas de golpes na venda de carros através da internet.

Os suspeitos copiavam o anúncio de uma outra pessoa pela internet, com valor mais barato, realizam uma interlocução com os interessados e o real vendedor do carro, criando uma história falsa, e vendiam o veículo. No entanto, a vítima nunca recebia o produto da compra..

Marcos Vasconcelos disse que um extenso material que foi apreendido na primeira etapa da ação está sendo periciado e a tendência é que no segundo semestre haja uma nova fase da ação.

 


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