Vida Urbana

Passageiros de Uber são perseguidos e hostilizados por taxistas em João Pessoa

"Não me ameaçaram, mas intimidaram", diz motorista da Uber. Semob e Sindtaxi se manifestam sobre caso.




Três taxistas perseguiram de forma hostil um motorista da Uber com três passageiros na madrugada desta segunda-feira (26), no bairro do Bessa, Zona Leste de João Pessoa. Viagem original seria do Bessa, com destino a Tambiá, Cruz das Armas e Bancários. Segundo informações do motorista da Uber, os taxistas não o ameaçaram, mas houve intimidação e hostilidade.  E conforme os passageiros, foi um momento tenso e nervoso. Para o superintendente da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob), Carlos Batinga, esse tipo de enfrentamento é lamentável.

“Era meia-noite e chamamos o Uber. Assim que saímos, quando ele dobrou em uma rua perto de uma churrascaria, passou um táxi e ficou ‘dando sinal’ [cortando luz], aí depois passou outro e interditou a rua. Foi aí que eu e ele [o motorista] notamos a perseguição, ele entrou à direita, e os taxistas deram ré e vieram pelo mesmo caminho. Com isso, confirmamos a perseguição”, disse Larissa Barbosa, uma das passageiras do veículo perseguido. Para Ubirajara de Castro, de 32 anos, motorista do veículo particular, o momento da ré dos táxis foi a confirmação da ação hostil. “Foi aí que vi que eles queriam confusão, os passageiros ficaram nervosos, mas mantive a calma e controlei a situação”, afirmou.

A perseguição se estendeu pelas ruas do bairro do Bessa, e os taxistas trancaram completamente as vias, foi quando o motorista da Uber interagiu com eles. “Ele cortava caminhos, entrava em ruas e os taxistas seguindo e trancando. Teve uma hora que eles fecharam a rua e colocaram os carros em [posição] diagonal, trancando totalmente a rua”, contou João Paulo Mendonça – nome fictício, pois o passageiro preferiu não se identificar. “Foi nesse momento que baixei o vidro e perguntei o que era. Eles disseram que não ia me deixar passar. Não me ameaçaram, mas me intimidaram”, detalhou Ubirajara. Acrescentando que levou os passageiros para sua própria casa, um apartamento no bairro do Bessa, para despistar os taxistas e se passarem por amigos.

“Eles me seguiram até o meu prédio. Fui falar com eles. E ficaram me dizendo ‘Você teve sorte porque a Semob não está trabalhando a noite’. Depois disso foram embora. Senti que queriam mais fazer uma retaliação, uma espécie de medo”, afirmou Ubirajara de Castro, que , inclusive, começou a ser parceiro da Uber um dia antes, no sábado (24); e foi a primeira vez que passou por essa situação.

“Eu liguei para polícia, eles me deram dicas. E me indicaram para ir ao Bessa Shopping, mas estava fechado. Foi aí que seguimos para o apartamento do motorista. A polícia depois ainda me ligou duas vezes”, disse Larissa Barbosa. Segundo Ubirajara, foi um transtorno muito grande, principalmente para os passageiros.

Para lidar com casos de hostilidade e violência contra parceiros, a Uber oferece um treinamento prévio sobre segurança, de acordo com Ubirajara. “Recebemos orientações e dicas de segurança. A integridade física do passageiro vem em primeiro lugar. Eles [a empresa] disponibilizam um telefone para entrarmos em contato sobre casos assim, e também dão suporte jurídico se necessário”, contou. E, ainda conforme o motorista, para ser parceiro da Uber, “é obrigado ter um seguro no carro e para terceiros, para resguardar o veículo e os passageiros”.

Superintendente da Semob classifica atitude dos taxista como lamentável

Segundo o superintendente da Semob, Carlos Batinga, a atitude dos taxistas foi lamentável e trata-se de um caso isolado. "Lamento esse tipo de atitude dos taxistas, esse enfrentamento é lamentável. Acredito que são fatos isolados. Espero que isso não volte a ocorrer", declarou.

Conforme Adauto Braz, presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, Taxistas, Caminhoneiros e Condutores Auxiliares (Sindtaxi), orientação é de neutralidade por parte da classe. “Nós tivemos várias reuniões com a classe e a orientação que passamos nestas reuniões é para que os taxistas não realizem nenhuma atitude agressiva nem tentem fazer nada por conta própria”, afirmou. Acrescentando que estes casos de violência estão acontecendo em outros estados e isso não é para acontecer, não só pela atitude incorreta como também porque prejudica a classe.

Regularização

Em entrevista ao JORNAL DA PARAÍBA, Letícia Mazon, gerente de comunicação da empresa, tratou sobre a lei municipal que torna irregular a atuação de empresas como a Uber em João Pessoa. "Oferecemos um transporte privado, previsto na PNMU, através de nossos parceiros, que são os motoristas. A Justiça já confirmou que leis municipais não podem ser sobrepor à Lei Federal". A Lei Federal que Letícia cita é a Lei de Mobilidade Urbana aprovada em 2012, que dispõe sobre os tipos de transporte.

Para Batinga, a Semob vai seguir cumprindo a lei que existe no município e a Lei Federal é apenas uma diretriz. "Existe uma lei. Eu não discuto o mérito. A lei da mobilidade urbana dá diretrizes e deixa claro as atribuições e competências dos entes federativos. A regulamentação do transporte na cidade é uma atribuição do município", afirmou.

Adauto Braz, do Sindtaxi, também comenta sobre o trabalho de fiscalização e regularização da Uber na cidade. “Quem tem que lidar com a questão da regularização, de fazer qualquer coisa contra a Uber ou algo do tipo é a Semob, e não os taxistas”, disse.

O motorista da Uber, Ubirajara Castro, se dispôs para participar de movimentações a cerca da regulamentação da empresa de transporte privado na cidade. “Estou disposto a participar de reuniões e ações sobre a regularização da Uber”, revelou.  Sobre a abertura da Semob para tratar sobre a regulamentação, Carlos Batinga foi direto. "Se formos chamados, discutiremos. Mas se tem a lei, temos que cumprir", enfatizou.

Ainda conforme Braz, os taxistas vão ser identificados e serão convocados pelo sindicato para tratarem sobre a ação hostil. “Este caso que aconteceu ontem foi um caso isolado, nós vamos investigar a situação, tentar identificar os motoristas que se envolveram e chamar para conversar, pois a nossa orientação é para não fazer isso”, disse.

Ambos os passageiros do veículo perseguido, afirmam que vão continuar utilizando os serviços da Uber. "Vou continuar sim, com certeza. O preço é excelente. Ganhei balinha, tinha carregador, água. E o percurso que pagava R$ 70, agora pago R$ 25", afirmou João Paulo. "Vou sim. O preço é muito bom", conclui Larissa.

Por volta das 11h30, o motorista informou a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA que entrou em contato com o suporte jurídico da Uber, que o orientou para que fizesse um boletim de ocorrência.

Atualizada às 12h35


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