Vida Urbana

Paraibanos são ‘seduzidos’ pelo mundo do crime no Rio de Janeiro

Em comunidades periféricas da capital carioca, é cada vez mais comum encontrar paraibanos ligados a facções criminosas e até mesmo liderando grupos.




De João Paulo Medeiros do Jornal da Paraíba

Deixar a sua terra em busca de melhores condições de vida e emprego. Sonhar com um futuro brilhante e ajudar a família a sair de uma realidade difícil. Esse é o objetivo de muitos paraibanos que deixam o Estado em direção ao Rio de Janeiro todos os dias. No entanto, em alguns casos, a chegada em território fluminense não corresponde às expectativas e muitos acabam sendo ‘seduzidos’ pelo mundo do crime, sobretudo pelas facilidades e prestígio oferecidos pelo tráfico de drogas. Em comunidades periféricas da capital carioca, é cada vez mais comum encontrar paraibanos ligados a facções criminosas e até mesmo liderando grupos.

Os reflexos desse êxodo têm sido aos poucos verificados em operações realizadas pelas polícias carioca e da Paraíba, que constataram a existência de ramificações de grupos como o Comando Vermelho e o Terceiro Comando atuando aqui no Estado. As ações, segundo a polícia, em sua maior operação comandada no interior das penitenciárias paraibanas, teriam como ‘soldados’ (quem recebe uma ordem do chefe do tráfico) paraibanos ligados a criminosos que possuem por base o Rio de Janeiro.

De acordo com a Polinter carioca, responsável pela captura de fugitivos e pelas carceragens fluminenses, atualmente há pelo menos 20 paraibanos detidos em delegacias cariocas, acusados de como tráfico, assaltos, estupros e latrocínios. “É comum a gente encontrar pessoas da Paraíba, assim como de outros Estados detidas aqui no Rio. Hoje nós ainda estamos fazendo a informatização de nossos sistemas e assim que concluirmos esse número poderá ser bem maior”, explicou o delegado Orlando Augusto, que coordena o setor.

A última das constatações foi revelada durante a ‘Operação Quark’, realizada pela Polícia Civil paraibana e que terminou na prisão de mais de 50 pessoas e na descoberta de uma ‘rede de tráfico’ de entorpecentes nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Rondônia, no mês de maio deste ano. Meses depois da ação, o Ministério Público denunciou 62 envolvidos no esquema e um deles, identificado como sendo Maciel de Souza Ferreira, seria irmão de um dos chefes do tráfico de drogas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, o paraibano Antônio José de Souza Ferreira, 31 anos, natural de João Pessoa.

Segundo a polícia, ao ser preso, com Maciel foi encontrado um patrimônio milionário que seria fruto de lavagem de dinheiro do tráfico de entorpecentes. A denúncia apresentada pelo Ministério Público à Justiça relata que o acusado teria sido flagrado com dez quilos de cocaína avaliados em US$ 200 mil; teve oito carros apreendidos, uma motocicleta 1.300 cilindradas; quatro pistolas; e quatro casas, sendo uma delas avaliada em R$ 800 mil. O patrimônio, conforme depoimento do próprio acusado, teria sido ‘herdado’ do seu irmão, ‘Tota’.

“Não há dúvidas de que esses bens encontrados com ele foram obtidos pela lavagem de dinheiro com o tráfico do Rio de Janeiro. As suspeitas são de que o Maciel seria o representante do irmão aqui no Estado”, observou o delegado que comandou a ‘Operação Quark’, Allan Murilo Terruel.

Entre os anos de 2003 e 2008, a Paraíba ocupou o quinto lugar entre o ranking dos Estados brasileiros que mais ‘perderam’ habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, mais de 86 mil pessoas deixaram os municípios paraibanos, sendo que a maior parte deles segue em direção ao Sudeste.
 


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