Vida Urbana

Paraíba registra quase 250 mortes por câncer de pulmão em 2019

Esta quinta (29) é o Dia Nacional de Combate ao fumo; estado tem 468.596 fumantes.




De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 11,5% da população da Paraíba é fumante, e só na capital do Estado 92.197 pessoas são vítimas do tabagismo. Os números chamam ainda mais atenção nesta quinta-feira (29), quando o calendário brasileiro marca o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registra 428 mortes todo os dias em função direta e indireta do uso do cigarro. Ainda de acordo com o Instituto, a influência da nicotina no organismo humano tem sido evidenciada pelo aumento no número de casos de diversos tipos de câncer.

Apesar do elevado número de casos de câncer de pulmão, um estudo inédito do Ministério da Saúde em parceria com o Inca concluiu que, até 2030, as mortes por câncer de pulmão em mulheres deverão ser estabilizadas.

No âmbito estadual, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) contabiliza que somente em 2019, 246 pessoas morreram em decorrência desse tipo de câncer, que tem como sua principal causa a presença recorrente de nicotina (substância do cigarro) no organismo humano. Em 2018, ainda de acordo com a SES, foram 434 óbitos, e em 2017, 438 pessoas morreram vitimadas por esse tipo de câncer.

Em João Pessoa, 7,1% da população é fumante, conforme pesquisa realizada pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). O número equivale a 92.197 fumantes. Entre as capitais nordestinas, a paraibana só perde para Natal (7,2%) e Recife (7,2%). 

O Dia Nacional de Combate ao Fumo  foi criado em 1986 pela Lei 7.488, e tem como objetivo reforçar a conscientização a respeito do combate ao tabagismo e suas consequências na vida da população do Brasil. 

Consequências

O tabagismo é considerado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) uma doença pediátrica, já que 80% dos fumantes brasileiros, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cria o hábito ainda na adolescência. Dessa forma, a fase da vida que é marcada por descobertas e mudanças biológicas também pode ser o início de um vício, como aconteceu com Jânio Costa, de 57 anos.

O operador de máquinas começou a fumar aos 14 anos de idade e só deixou o vício em 2009, aos 47 anos, quando começou a perceber consequências negativas causadas à sua saúde. No dia a dia dele, as tosses, tonturas e sensação pré-desmaio eram frequentes e, por vezes o fizeram suspender atividades rotineiras.

“Cheguei a fumar de três a quatro carteiras (aproximadamente 15 cigarros, cada) por dia. Num fim de semana, quando acendi meu último cigarro, senti uma falta de ar muito forte. Parecia que meu peito estava se fechando, e eu quis desmaiar. Nesse dia, há dez anos atrás, eu percebi que ou eu parava, ou eu morria. Porquê o cigarro é assim: Vai matando aos poucos.”, comenta Jânio.

O ex-fumante ainda salientou que não venceu o vício do dia pra noite, mas, assim como todas as pessoas que deixam de fumar, levou um tempo para acostumar o organismo a não receber mais a substância química do cigarro. O desejo pelo abandono do vício faz parte da rotina de pessoas que, independente de idade, têm consciência dos malefícios que o cigarro traz à saúde, como é o caso de Alan David, de 26 anos, que começou a fumar também na adolescência – aos 16 anos.

Para ele, o contexto social em que estava inserido foi o que o levou ao tabagismo e à outras práticas prejudiciais à saúde, como o consumo de bebidas alcoólicas em grande escala. Durante os 10 anos de vício, o jovem conta que já tentou, sem sucesso, parar de fumar algumas vezes. 

“Tentei por várias vezes parar, cheguei a passar até oito meses sem fumar, mas voltei pelo vício. Sei que é prejudicial, que faz mal. Tenho consciência disso, mas sinto a necessidade [de fumar] em dias muito estressantes ou quando acontece algo muito triste (…) Quero parar, mas em uma semana já volto.”, explica Alan.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar, com medicamentos como adesivos, pastilhas, gomas de mascar (terapia de reposição de nicotina) e bupropiona. Outras dicas para quem deseja sair do tabagismo também são úteis; Dentre as principais, estão: Concentrar-se em outra atividade; Quebrar a rotina com programas de diversão; Procurar não desenvolver outro vício; Buscar apoio de pessoas próximas e, o mais importante, tentar outra vez.

Ações

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) em parceria com o Comitê do Tabagismo da Associação Médica da Paraíba, promoveu a qualificação profissional para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) no controle do tabagismo, nesta quarta-feira (28), em João Pessoa. Ao todo, 200 ACS que atuam na capital participaram da atividade.

O treinamento lembra o Dia Nacional de Combate ao Tabagismo, e teve como objetivo sensibilizar os Agentes Comunitários de Saúde sobre a importância da prevenção e controle da doença. Com os conhecimentos técnicos sobre o tratamento do tabagismo, prevenção e maneiras de abordar os fumantes, os ACS vão dar apoio às equipes de saúde e fazer os encaminhamentos necessários.

A chefe do Núcleo Estadual de Doenças e Agravos não Transmissíveis, Gerlane Carvalho, explicou que a SES trabalha com o Programa Nacional de Controle do Tabagismo como forma de qualificar os profissionais dos municípios que trabalham direta ou indiretamente com este programa.

“A nossa intenção é que esses profissionais sejam multiplicadores das informações nos seus territórios. Eles têm um papel fundamental porque estão dentro da comunidade, podendo ter acesso ao tabagista, ao fumante, fazendo a abordagem correta e ressaltando a importância de buscar o tratamento. Com a qualificação eles vão entender o processo do trabalho com a prevenção, além de indicar os locais de atendimento da rede de João Pessoa”, observou Gerlane Carvalho.

Ainda na ocasião, professora do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba, Maria Alenita de Oliveira, comentou que o Brasil avançou muito na política contra o tabagismo, fato reconhecido, inclusive pela Organização das Nações Unidas. 

“A proposta é avançar cada vez mais, principalmente na prevenção e no encaminhamento de pessoas para cessarmos o tabagismo. Dentro da contextualização do ACS, que é quem fica próximo ao usuário, é uma ótima oportunidade de inserir o tema atingindo diretamente a população. Abordamos o malefício do tabagismo passivo, principalmente em crianças e grávidas, e a maneira de chegar ao usuário com um aconselhamento breve e encaminhá-lo para os centros de tratamento do tabagismo”, afirmou Alenita.


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