Vida Urbana

Número de casos de menores de cinco anos com Aids cresceu 600% na Paraíba

Dados preliminares alertam neste domingo (1º), Dia Mundial de Luta Contra a Aids.




Aids, HIV, Dia Mundial de Luta contra Aids

Foto: Rizemberg Felipe

O ano 2019 nem chegou ao fim e o número de casos de aids em menores de cinco anos de idade cresceu 600%, em relação ao ano passado. Enquanto em 2018 houve apenas um caso, este ano o número já subiu para sete. Os dados fazem parte do Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde na última sexta-feira (25), em alusão ao Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado neste domingo (1º).

O estudo também revela que, nos últimos cinco anos, foram registrados um total de 479 casos de gestantes infectadas pelo HIV, pelo Ministério da Saúde. Apesar disso, a taxa de detecção, por mil nascidos vivos, teve redução de 1,9 para 1,8 no comparativo entre 2017 e o ano passado, quando o número caiu de 112 casos para 102.

A transmissão vertical se dá de mãe para filho, seja pelo parto, na gestação ou através da amamentação. Por isso, o Ministério da Saúde faz o cálculo considerando o número de casos de HIV detectados em gestantes em um determinado ano de notificação e local de residência pelo número total de nascidos vivos residentes nesse
mesmo local, no mesmo ano de notificação vezes mil. O objetivo é medir a frequência de gestantes
com HIV segundo ano e local de residência.

A coordenadora do Núcleo de IST e AIDS do estado, Joana Ramalho, explica que a Paraíba tem avançado em ações para prevenção e controle das ISTS por meio do protocolo clínico de prevenção vertical e da implantação do tratamento em toda atenção básica.

Para tratar do tema, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) deu início às ações alusivas ao “Dezembro Vermelho” com a realização de um seminário, realizado na última quinta-feira (28). Na pauta foram abordados testagem rápida, acesso aos medicamentos, continuidade do tratamento e contaminação entre gestantes e bebês. A iniciativa reuniu representantes de todas as gerências de saúde, maternidades públicas e privadas, no auditório do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador da Paraíba (Cerest).

De acordo com as informações apresentadas no Seminário, o perfil das pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) vem mudando ao longo dos anos, crescendo na faixa de idosos, de pessoas com maior escolaridade e fora dos chamados grupos de risco. João Pessoa e Santa Rita concentram a maior notificação de casos das ISTs, devido ao volume mais elevado de pessoas e testagens realizadas.

Ainda de acordo com a coordenadora do Núcleo de IST e AIDS, Joana Ramalho, um dos maiores desafios está em conscientizar a população sobre a prevenção e o tratamento destas doenças. “A Paraíba está abaixo da média nacional em relação aos índices destas ISTs, porém é importante dialogar com a população e profissionais de saúde para identificar precocemente as doenças, aumentando a chance do tratamento efetivo e com maior chance de cura ou controle, no caso do HIV/AIDS”, explica a coordenadora.

A Paraíba conta com aproximadamente 90% das Unidades de Saúde da Família aptas a realizar a testagem rápida para HIV, Sífilis e Hepatites. Após o diagnóstico, o paciente é encaminhado para realizar os protocolos de controle da IST. Em João Pessoa, o Complexo Hospitalar Clementino Fraga é referência para o tratamento destas doenças. A médica da unidade e palestrante do Seminário, Juliana Barbosa, chama atenção para a eficácia do tratamento “Em relação a Hepatites virais, por exemplo, o tratamento é feito via oral, durante um período médio três meses e possui cura acima de 95% dos casos”, enfatiza a médica.

Dados nacionais

O maior número de gestantes infectadas com HIV (27,8%), em todo o país, está entre jovens de 20 a 24 anos, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Tal fator foi resultado da ampliação do diagnóstico no pré-natal e, consequentemente, a prevenção da transmissão vertical do HIV se tornou mais eficaz.

O Brasil é signatário do compromisso mundial de eliminar a transmissão vertical do HIV e optou por adotar uma estratégia gradativa de certificação de municípios. A eliminação da transmissão vertical do HIV, assim como a redução da sífilis e da hepatite B, é uma das seis prioridades do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI) da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A certificação possibilita a verificação da qualidade da assistência ao pré-natal, do parto, puerpério e acompanhamento da criança e do fortalecimento das intervenções preventivas.


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