Vida Urbana

MST faz protesto contra prisão de agricultor em Pilar

Agricultor foi posto em liberdade provisória, mas a coordenação do MST afirmou que o agricultor foi agredido por policiais.



Assessoria do Incra
Assessoria do Incra
Manifestação em frente a delegacia de Pilar

Da Redação
Com informações da Assessoria do Incra

Cerca de 200 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realizaram manifestação, na manhã de hoje (12), em frente à Delegacia da Polícia Civil e à Cadeia Pública do município de Pilar, a 51 km de João Pessoa, para protestar a prisão do agricultor José Antônio de Pontes, 51 anos, preso no último domingo (10) em uma ocupação realizada pelo movimento na fazenda Barra II.

O agricultor José Antônio de Pontes, 51 anos, deixou a Cadeia Pública de Pilar no final da manhã de hoje e encontra-se em liberdade provisória. De acordo com o advogado Cleofas Caju, o agricultor, que deve ser submetido ainda hoje a exame de corpo de delito no IPC (Instituto de Polícia Científica) da capital paraibana, vai responder a processo criminal para apurar as acusações de dano à propriedade, incêndio criminoso e resistência à prisão.

A coordenação estadual do MST afirmou que o agricultor, que apresentava hematomas no rosto na hora em que deixou a Cadeia Pública de Pilar, foi agredido por policiais – o que é negado pela Polícia Civil.

De acordo com a Polícia Civil, o agricultor foi preso porque estava ateando fogo a construções e plantações da fazenda Barra II.

Segundo Marcelo José da Silva, coordenador estadual do MST, cerca de 100 famílias ocuparam a fazenda Barra II no último sábado (9) para protestar contra a proprietária, que teria destruído a lavoura de antigos arrendatários.

Os agricultores alegam que adquiriram 40 hectares da fazenda no ano 2000 – embora não possuam certidão que comprove a compra da terra – e que, apesar disto, a ex-proprietária teria vendido recentemente a área a outra pessoa.

O agricultor João Francisco da Silva, que mantém lavouras na propriedade há 28 anos, contou que antes arrendava a terra juntamente com outras 14 famílias, mas que no ano 2000 o grupo se reuniu para comprar 40 hectares do imóvel.

“Não temos certidão porque a compra foi feita na base da ‘confiança’. Fizemos um acordo com a proprietária e depositamos o dinheiro na conta dela. A gente só não quer ficar fora da terra porque temos que trabalhar para comer”, disse.

O agricultor afirmou que no final do mês de abril deste ano as famílias tiveram suas plantações destruídas pela quarta vez e que por isto integrantes do MST se juntaram a eles para protestar e ocuparam a fazenda.

“A destruição foi grande porque a gente plantava de tudo: inhame, macaxeira, batata, mandioca, feijão, milho. Mas é a quarta vez que destroem tudo e fica por isto mesmo, como se a gente não fosse nada”, desabafou João Francisco da Silva.


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