Vida Urbana

Mercado paraibano oferece opções de ceia para quem tem restrições alimentares

Comerciantes investem cada vez mais em ceias para quem tem restrições ou prefere um cardápio vegetariano.



Herbert Clemente
Herbert Clemente

Mercado paraibano está oferecendo cada vez mais opções para atender este público.

Aos 5 meses de idade, Eduardo começou a ter refluxos, diarreia e vermelhidão na pele. Foi quando os pais do menino desconfiaram de que ele tinha alergia a proteína do leite, o que foi confirmado por um médico. Como ainda estava amamentando, Lays Santos, mãe da criança, teve que tirar os leites e derivados da própria alimentação para que o menino não tivesse nenhuma reação alérgica. Depois que os pais começaram a incluir outros alimentos na dieta da criança, a procura por alimentos que não continham laticínios virou a prioridade da família.

Pessoas como Eduardo, que apresentam algum tipo de alergia ou intolerância alimentar, têm ainda maior dificuldade na época do Natal e Réveillon, quando as prateleiras dos supermercados se enchem de produtos com glúten e lactose. “No início era muito difícil, as opções de chocolate para ele, por exemplo, eram muito poucas. A gente comprava de uma marca importada pela internet e pagava frete. Depois surgiu um nacional mas mesmo assim não era fácil de encontrar”, afirma Lays Santos, mãe da criança que hoje tem 2 anos.

Para suprir a necessidade de pessoas que têm dietas restritas – seja por opção ou não – é que o mercado paraibano está oferecendo cada vez mais opções.

Uma delas é Luana Diniz, gerente do restaurante natural Oca, no Centro de João Pessoa. Observando que vegetarianos, veganos e pessoas intolerantes a lactose e a glúten não tinham opções de ceia natalina, ela decidiu inovar e oferecer esse tipo de serviço. “No nosso salpicão, por exemplo, usamos uma pastinha de tofu que substitui a maionese. E tem vários tipos de saladas, com vegetais orgânicos, onde valorizamos também a ornamentação. Porque entendemos que as pessoas primeiro comem com os olhos. Então temos saladas em forma de mandala, de guirlanda, entre outros”, define Luana.

Há dois anos o restaurante resolveu investir no mercado de panetones sem glúten e lactose. “Nosso público tem crescido cada vez mais, já temos uma lista de encomenda bem antes de produzir os panetones. E neste ano estamos inovando com o panetone com gotas de cacau, que substitui o chocolate”, explica a gerente. Lays tem notado o crescimento das ofertas de produtos e serviços específicos para os intolerantes e alérgicos. “No início era muito difícil achar qualquer produto sem traços de leite, até porque a alergia dele é bastante acentuada.

Já teve casos de pessoas que consumiram leite, chegaram perto dele e Eduardo teve uma reação alérgica. Mas agora está mais fácil encontrar opções. Conheci em uma rede social uma menina que prepara a ceia natalina sem leite e derivados por encomenda e este ano já está garantido”, afirma.
“As pessoas ligam ou mandam mensagem esclarecendo como querem a ceia, se é sem carne, sem nenhum produto de origem animal, ou específico de alguma intolerância, como no caso de glúten e lactose. Não temos como preparar antes porque cada pedido é muito específico, então sempre fazemos por encomenda”, revela Luana Diniz.

Nutricionistas recomendam cautela

Mesmo para quem não tem nenhum tipo de restrição na dieta, nutricionistas recomendam cautela nessa época do ano, quando as pessoas têm a tendência de comer alimentos gordurosos. “O ideal é ter cuidado na forma de preparo dos alimentos tradicionais da ceia. A rabanada pode ser feita no forno ao invés de frita em óleo e não utilizar leite condensado. Já o peru, que é uma carne muito saudável, deve-se tirar a pele antes de consumir e optar por não utilizar óleos e recheios muito calóricos, como purê de batatas”, explica a nutricionista Danielle Oliveira.

A nutricionista alerta que há alimentos saudáveis que já estão inclusos na ceia tradicional, mas é preciso ter cuidado com a quantidade consumida. “Nozes, castanhas, avelãs e amêndoas são aperitivos naturais muito bons, por regular os níveis de colesterol, conter selênio e serem antioxidantes, o que ajuda a combater o envelhecimento precoce. Mas também são alimentos bem calóricos”, pontua. “Frutas secas também são uma boa pedida, por serem ricas em vitaminas e minerais, e por terem sabor adocicado podem substituir os doces”, completa.

Uma atenção especial deve ser direcionada às crianças, que costumam consumir muitos doces nesta época do ano. “Os doces e sobremesas podem ser preparados utilizando-se ingredientes mais saudáveis e com baixo teor de gordura e açúcar, como leite desnatado, creme de leite de soja, chocolate amargo. Sempre preferindo as frutas in natura ou até mesmo as cristalizadas. Os sorvetes de frutas também são uma boa opção, desde que não tenham gordura em sua composição”, sugere Danielle.

Saiba mais

Uma recomendação da nutricionista é evitar qualquer tipo de bebida alcoólica por causa dos malefícios que trazem à saúde. Mas para quem não quer deixar de consumir, pedidas menos calóricas são os destilados, aguardente, chopp, cerveja e whisky. “As que podem ser consumidas com moderação, vinho branco seco, vinho tinto seco e espumante, em média 1 taça de 125 ml”, orienta.


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