Vida Urbana

Menos transplantes, mais espera

Dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, a Paraíba é um dos Estados nordestinos que menos realizou o procedimento.



Kleide Teixeira
Kleide Teixeira
Para o presidente da Associação dos Portadores de Doenças Renais da Paraíba, situação em João Pessoa é preocupante

A Paraíba ficou entre as localidades nordestinas que menos transplantou órgãos humanos em 2012, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). De janeiro a setembro do ano passado, foram feitos 111 procedimentos dessa natureza no Estado. Destes, 69 foram de córneas, um de fígado e outros 41 de rins.

As quantidades ficaram muito abaixo do total de cirurgias dessa natureza feitas em outras áreas do Nordeste. Por conta disso, a Paraíba ocupou a 7ª posição no ranking regional de transplantes durante nove meses de 2012.

Para se ter uma ideia, o número de transplantes realizados em território paraibano é quase dez vezes menor que os 1.098 procedimentos desse tipo feitos em Pernambuco, apontado pela ABTO como o Estado nordestino que mais realizou cirurgias no ano passado.

Por outro lado, a Paraíba apareceu entre as localidades com a maior quantidade de pessoas na lista de espera. Ao todo, são 261 que necessitam de um transplante. Delas, uma aguarda a doação de córnea, outra, a de fígado e 259 precisam de um rim.

Para os pacientes, a principal causa do número elevado de pacientes na relação de rins é a falta de hospitais públicos especializados em realizar transplantes. Na Paraíba, a única unidade preparada para executar o transplante de rim fica em Campina Grande. Em João Pessoa, o último procedimento desse tipo foi feito em dezembro de 2010, quando as operações deixaram de ser feitas por falta de estrutura hospitalar.

Segundo o presidente da Associação dos Portadores de Doenças Renais da Paraíba, Carlos Roberto Lucas, a situação de João Pessoa está preocupante. Ele conta que os doentes que moram na capital precisam ser levados para Campina Grande, para fazer as cirurgias. Apesar do Governo do Estado ceder o transporte, a viagem causa transtornos e até põe em risco a vida do paciente. “Há pacientes que estão tão debilitados que, por recomendação médica, não podem fazer a viagem e ficam sem condições de serem submetidos ao transplante. Por conta disso, ocorrem até desperdícios de órgãos, já que o tempo de captura não é mesmo para a realização do transplante”, lamenta.

Em João Pessoa, o Hospital Unimed JP está renovando a habilitação para realizar transplantes de coração, rim, fígado e conjugado (pâncreas e rim). Segundo a assessoria do hospital, a instituição está em processo de credenciamento junto ao órgão de saúde para realizar transplante de pulmão.

A unidade também já realizou transplantes de rins, mas, desde 2011, a realização desse tipo de procedimento na capital passou, com exclusividade, a ser de competência do Hospital São Vicente de Paula.

A decisão foi resultado de um acordo, firmado em agosto de 2011, durante audiência no Ministério Público da Paraíba. Na ocasião, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) ficou obrigada a fazer investimentos no Hospital São Vicente de Paula, para que a unidade retomasse as cirurgias, que estavam paralisadas na capital desde o final de 2010.

Porém, apesar de passados 16 meses da assinatura do acordo, a unidade hospitalar ainda permanece sem condições de fazer as cirurgias. “O São Vicente de Paula não tem estrutura. Não tem equipamentos, nem médico especializado e as negociações com o governo estão paradas”, diz Roberto Lucas.

Por conta disso, a única instituição que realiza, atualmente, os transplantes de rins funcionam em Campina Grande, o que obriga pacientes de João Pessoa a migrarem para essa cidade, em busca de assistência. Quem está na lista de espera na capital precisa pedir a transferência do registro para Campina Grande.


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