Vida Urbana

Marcha do MST é encerrada em ato público em João Pessoa

O ato é o encerramento da Marcha da Agricultura Familiar, que começou em Campina Grande no último dia 19.  




Cerca de 1200 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) na Paraíba realizaram um ato público na manhã desta terça-feira (26) na Praça João Pessoa. De acordo com a Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob), o trânsito foi bloqueado no entorno da praça e na Rua Rodrigues de Aquino, no Centro de João Pessoa a partir das 10h. O ato é o encerramento da Marcha da Agricultura Familiar e Camponesa contra o Impeachment da Presidente Dilma Rousseff e em Defesa da Democracia e dos Direitos da Classe Trabalhadora, que teve início no último dia 16 em Campina Grande.

Durante dez dias, famílias de 49 acampamentos do Estado participaram da marcha e devem permanecer em João Pessoa até a próxima semana. No próximo domingo (1º), o grupo vai realizar um ato público que deve sair da Praça das Muriçocas, em Miramar, às 13h e segue para o Busto de Tamandaré, na praia de Cabo Branco. O itinerário do MST começou no Estádio Amigão, em Campina Grande, e seguiu pelos municípios de Lagoa Seca, São Sebastião de Lagoa da Roça, Esperança, Sapé e Bayeux. O grupo parava para dormir em escolas das cidades durante o percurso.

Além de ser uma manifestação contra o Impeachment, os organizadores destacam que a marcha também foi realizada para relembrar os 20 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 sem-terra foram assassinados. Até hoje os responsáveis pelas mortes não foram punidos. A morte do trabalhador rural Ivanildo Francisco da Silva, de 46 anos, por um tiro de espingarda no assentamento Padre João Maria, em Mogeiro, na Zona da Mata Paraibana, também foi lembrada no ato. Durante o ato, os manifestantes ergueram 19 cruzes brancas em homenagem aos mortos em Eldorado dos Carajás.

“São vinte anos de impunidade no campo de Eldorado, além de outros assassinatos, como o caso recente no Paraná. A gente começa a perceber a forma e a repressão nesse país é um dos instrumentos que o poder judiciário e as elites usam para impedir a luta dos trabalhadores”, afirma a integrante do MST, Dilei Schiochet. “Mas é do sangue que gera a vida. E é do sangue desses mártires que aumenta a nossa luta”, completa.

A marcha foi oficialmente encerrada no início da tarde de hoje em frente ao Palácio da Redenção, no centro da capital, após o governador do Estado, Ricardo Coutinho, sancionar a lei que concede o direito real de uso das áreas referentes ao Perímetro Irrigado Várzeas de Sousa (Pivas) ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma e Agrária (Incra). “Essa é uma das lutas mais essenciais do povo brasileiro. O campo traz paz, o campo traz alimento, traz desenvolvimento e é para o campo que esse país precisa olhar novamente. E o país precisa retomar a proposta que é progressista, que é a democratização do uso da terra”, declarou o governador.

A terra corresponde a aproximadamente 800 hectares, que serão distribuídos a cerca de 200 famílias de pequenos agricultores. O projeto foi uma autoria do Governo do Estado que foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa.  

 

Atualizada às 13h48.


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