Vida Urbana

Marcha das Vadias chega a 4ª edição e alerta para a violência contra a mulher

Com palavras de ordem, faixas e carro de som, participantes percorreram o entorno da Praça da Paz. 



Larissa Claro
Larissa Claro
Organização estima que mais de 200 pessoas participaram do ato; PM calcula 150

‘A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer’. Com este tema, a 4ª edição da Marcha das Vadias foi pra rua na tarde na tarde deste sábado (22), em João Pessoa. A concentração aconteceu na Praça da Paz, no bairro dos Bancários, às 14h. Segundo estimativa dos organizadores, a mobilização atraiu mais de 200 mulheres. Já de acordo com a Polícia Militar, foram 150.

A ação contou com a participação de integrantes de movimentos sociais, além de mulheres da sociedade civil, sensibilizadas com a causa. As participantes trouxeram faixas, cartazes e usaram um carro de som durante a caminhada, que aconteceu em torno da Praça da Paz.

De acordo com uma das organizadoras do movimento, Laís Barbosa, o objetivo da Marcha das Vadias é chamar a atenção da sociedade para os crimes cometidos contra as mulheres na Paraíba. “O intuito é mostrar que as mulheres merecem ser respeitadas. No contexto atual, queremos denunciar os casos de violência, que vêm aumentando drasticamente, principalmente nos Bancários”, afirmou.

Como exemplo, Laís mencionou a ‘barbárie dos Bancários’, como ficou conhecido o crime cometido contra duas mulheres e um bebê no dia 20 de junho deste ano. Eles foram sequestrados e levados até Pernambuco, onde as duas foram estupradas e atropeladas. Uma das mulheres, Gloria Silva, de 42 anos, morreu, enquanto a outra, Caroline Teles, de 31, foi socorrida e levada para um hospital pernambucano junto com a criança.

A estudante de Direito Marcelle Queiroz, de 22 anos, acredita que a marcha é importante para diminuir o preconceito. "Todos os dias nós somos vítimas de quem acredita que os nossos corpos são objetos", disse a estudante, enquanto carregava um cartaz com a mensagem: "Meu nome não é psiu!". O estudante Tarcis Allan, de 21 anos, também decidiu apoiar a causa. "Reconheço que as mulheres são vítimas de machismo e, como homem, venho lutar pela igualdade", disse.

De acordo com levantamento do Centro da Mulher 8 de Março, entre os meses de janeiro e julho deste ano 23 mulheres foram assassinadas na Paraíba e outras 16 foram vítimas de tentativa de homicídio. O levantamento da ONG ainda dá conta de sete registros de estupros.

História da marcha
O movimento da Marcha surgiu em 2011, no Canadá, após uma onda de estupros ocorridos na Universidade de Toronto, quando um policial sugeriu que as mulheres poderiam evitar os estupros caso “não se vestissem como vadias”. A chamada Slut Walk, então, resolveu ressignificar o termo “vadia” e questionar a cultura machista de culpabilização da vítima nos casos de violência sexual. 

Participantes escolheram o bairro dos Bancários por causa de crime ocorrido em junho. (Foto: Larissa Claro)


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