Vida Urbana

Mais de 6,4 mil pacientes saem da fila de cirurgia na Paraíba

Número já passa da metade das intervenções realizadas em todo o ano passado, que foram 10.829. Os dados são da SES.




O procedimento cirúrgico, às vezes, é a única solução para que uma pessoa se recupere de uma doença e, para quem espera por esse momento, que pode demorar até cinco meses em alguns casos, tempo não é uma variável a favor. Essa espera na Paraíba, no entanto, está diminuindo, graças ao aumento do número de cirurgias eletivas (programadas) realizadas no Estado. Entre janeiro e julho desse ano, 6.496 pessoas saíram da fila de cirurgias eletivas, o número já passa da metade das intervenções realizadas em todo o ano passado, que foram 10.829. Os dados foram repassados pela Secretaria Estadual de Saúde.

Dona Maria Cordeiro foi uma das pacientes que precisou passar por cirurgia. Depois que descobriu, em exames de rotina, que estava com um mioma no útero, ela fez os exames pré-operatórios e passou pelo procedimento em menos de um mês. Hoje, quatro meses após a cirurgia e totalmente recuperada, ela torce para que o sistema de saúde melhore e possa atender mais pessoas. “Quem vai fazer uma cirurgia é porque precisa, então tomara que não demore pra ninguém ficar pior”, disse.

E esse é o objetivo do Ministério da Saúde, que para reduzir as filas no Sistema Único de Saúde (SUS) e contribuir para o crescimento do número de cirurgias eletivas liberou no último mês R$ 2,4 milhões para o Estado da Paraíba. Agora, além de agilizar o processo, a nova portaria permitirá aos gestores locais remunerar de forma diferenciada os seus prestadores para estimular a realização de cirurgias eletivas. Segundo o MS, a medida possibilita a ampliação da oferta de procedimentos reduzindo as filas de espera e beneficiando um número maior de pessoas de maneira permanente.

Para o médico cirurgião gastroenterologista Carlos Magno, o tempo de espera de um paciente para cirurgias eletivas, como a colecistectomia, que é a retirada da vesícula biliar, é relativo à situação em que cada pessoa chega ao hospital. “Temos casos de crises agudas, onde o paciente é levado direto para a sala de cirurgia, com procedimentos que podem durar até sete horas. Mas também existem situações nas quais o paciente consegue diagnosticar o problema sendo possível que ele faça um tratamento prévio e aguarde o melhor momento para realizar a cirurgia. Se o procedimento se torna mais rápido e no momento desejado, ele é mais seguro e com chances maiores de sucesso”, ressaltou.

A cirurgia para a retirada da vesícula está em primeiro lugar dentre as intervenções mais realizadas na Paraíba: entre janeiro e julho deste ano, foram feitas 1.761 cirurgias desse tipo. A cirurgia vem seguida da histerectomia bilateral, que é a retirada do útero, responsável por 586 procedimentos; e da amigdalectomia, que é remoção cirúrgica das amígdalas, tratamento feito em 549 pacientes nesse mesmo período.

Em toda a Paraíba, de acordo com os dados repassados pela SES, o hospital que mais realizou procedimentos foi o Hospital Municipal Pedro I, em Campina Grande. De 2014 até julho, mais de 1.916 mil operações foram feitas na unidade. “Campina Grande tinha um grande problema com a realização de cirurgias, pela falta de equipamentos municipais e filas de espera de anos. Esse é um compromisso com a população e hoje o Pedro I é uma referência”, destacou a secretária de Saúde do município, Luzia Pinto. Além de Campina Grande, a unidade atende a pacientes de mais 83 municípios e realiza uma média de 300 cirurgias por mês.

Já o Hospital Regional de Picuí, no Seridó paraibano, vem em segundo lugar com 1.315 procedimentos nesse mesmo período. Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, a maior parte das intervenções realizadas na unidade são a remoção das amígdalas. A assessoria de imprensa não comentou como a Secretaria de Estado da Saúde pretende fortalecer a política de cirurgias eletivas após o repasse do Ministério da Saúde.

SAIBA MAIS
O procedimento é todo aquele atendimento prestado ao usuário em ambiente cirúrgico, com diagnóstico estabelecido e indicação de realização de cirurgia a ser realizada em estabelecimento de saúde ambulatorial e hospitalar com possibilidade de agendamento prévio, sem caráter de urgência ou emergência.


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