Vida Urbana

Mais de 43 mil internações por acidentes de trânsito são registradas na PB em dez anos

O número resultou em quase R$ 72 milhões gastos nas unidades de saúde do estado.




Mais de 43 mil internações por acidentes de trânsitos foram registradas em dez anos, na Paraíba, segundo levantamento elaborado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O número resultou em quase R$ 72 milhões gastos nas unidades de saúde do estado. Dos casos, 60% envolveram vítimas com idade entre 15 e 39 anos.

Para o coordenador da Câmara Técnica de Medicina de Tráfego do CFM, José Fernando Vinagre, os números mostram que os acidentes de trânsito constituem um grave problema de saúde pública e que provoca sobrecarga nos serviços de assistência, em especial nos prontos-socorros e nas alas de internação dos hospitais. “É preciso reconhecer o importante aprimoramento da legislação ao longo dos anos e também o aumento na fiscalização, especialmente após a Lei Seca. No entanto, precisamos avançar nas estratégias para tornar o trânsito brasileiro mais seguro”, destacou.

De acordo com Carlos Vital, presidente da CFM, a solução para reduzir os acidentes depende de uma série de fatores de prevenção, reforço na fiscalização e sinalização, além de questões de infraestrutura e aprimoramento dos itens de segurança dos veículos. “Neste contexto, os médicos desempenham papel fundamental nas discussões sobre direção veicular segura. O impacto desses acidentes nos serviços de saúde é alto. Leitos são ocupados, hospitais e médicos se dividem no atendimento entre os acidentados e casos patológicos”, ressaltou.

R$ 2,9 bilhões gastos no país

Na última década, as internações hospitalares decorrentes de acidentes de trânsito consumiram cerca de R$ 2,9 bilhões do SUS, em valores atualizados pela inflação do período. De acordo com Antonio Meira Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), os custos com os acidentes de trânsito vão além das hospitalizações.

“Estamos falando de um custo médio de aproximadamente R$ 290 milhões ao ano, que obviamente foi investido para salvar vidas, o que é justificável. Se conseguíssemos diminuir o número de vítimas do trânsito, no entanto, teríamos um impacto muito grande também nas contas públicas. São recursos que poderiam ser direcionados para outras áreas prioritárias da assistência em saúde no país”, pontuou Antonio. Segundo ele, cerca de R$ 50 bilhões são gastos com os acidentes, incluindo atendimento médico-hospitalar, seguros de veículos, danos a infraestruturas, perda ou roubo de cargas, entre outras despesas.

Mortalidade

Segundo o levantamento do CFM, que considerou ainda dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, só em 2016 (ano mais recente disponível), foram registrados 37.345 óbitos decorrentes de acidentes de trânsito. Desses, 8.206 foram registrados na Paraíba. No total, houve um crescimento de 28% dos casos de óbitos no Nordeste, entre 2007 e 2016.

 


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