Vida Urbana

Mais de 33 mil pacientes faltaram a consultas nos HUs de JP e CG

Hospitais acreditam que faltas são por condições socieconômicas e geográficas.




Hospital Universitário da UFPB em João Pessoa

Mais de 33 mil pacientes faltaram a consultas marcadas nos Hospitais Universitários Lauro Wanderley, em João Pessoa, e Alcides Carneiro, em Campina Grande, nos seis primeiros meses de 2018. O número de faltas registradas neste primeiro semestre é maior que o número média de consultas marcadas no hospitais por mês.

O hospital Lauro Wanderley, em João Pessoa, tem uma média mensal superior a 18 mil consultas e o número de pacientes que faltaram a essas consultas nos primeiros meses de 2018 foi de 25 mil, uma média de pouco mais de 4 mil faltas ao mês.

Em Campina Grande a realidade não é diferente: a média de consultas mensais no hospital Universitário Alcides Carneiro é de 7 mil e o número de pessoas que faltaram a essas consultas no primeiro semestre é superior a esse número, uma média de pouco mais de mil faltas por mês.

Distância atrapalha comparecimento

Os HUs de João Pessoa e Campina Grande atendem pessoas  de todo o estado da Paraíba, são mais de 200 cidades assistidas pelas mais de 80 especialidades que os hospitais oferecem. Segundo o professor Ângelo Melo, Gerente de Ensino e pesquisa do Hospital Universitário Lauro Wanderley, essa distribuição geográfica de pacientes é um dos principais fatores das faltas às consultas junto com problemas socioeconômicos.

Segundo ele, muita gente que mora longe, em outras cidades, não tem como chegar ao hospital por falta de transporte e falta de dinheiro. “A gente recebe gente de várias cidades do estado, de todas as regiões. Muita gente sofre por falta de transporte, as prefeituras não disponibilizam transporte para as pessoas virem para o atendimento e muitas delas não têm como vir por conta própria. Aí, infelizmente, [esses pacientes] faltam às consultas”, analisa.

As faltas dos pacientes às consultas geram prejuízos assistenciais e administrativos aos hospitais, que se preparam para receber um volume de pacientes que acabam não sendo atendidos. Há também o prejuízo para quem aguarda na fila para ser atendido, como explica o Diretor do Hospital Universitário Alcides Carneiro de Campina Grande, Homero Gustavo. “O paciente, muitas vezes, agenda e não comparece e isso prejudica também aquele que está necessitando, porque outro ocupou a vez”, destaca.

Unidades são referências

Ambos são hospitais de especialidades, ou seja, são locais que funcionam como clínicas que atendem pacientes que precisam de consultas com médicos especialistas.

Para marcar consulta nos HUs, é necessário ter um primeiro encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) de cada bairro ou cidade, que marcam dia e horário de consulta com o médico especialista oferecido pelo hospital. Após a primeira consulta, a segunda consulta e exames necessários são marcados pelas equipes dos próprios hospitais universitários. 

* Sob a supervisão de Aline Oliveira


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