Vida Urbana

Mais de 160 mil aguardam casas

Mais de 160 mil pessoas na Paraíba se inscreveram na Cehap para adquirir uma moradia própria por meio do programa federal.



Francisco França
Francisco França

“Há 13 anos estou inscrita. Em 2009 atualizei meu cadastro, mas até agora nunca fui beneficiada”, afirmou a dona de casa Rosa Maria de Medeiros, 42 anos, que está desempregada e mora de aluguel. Essa é a realidade de mais de 160 mil pessoas na Paraíba que se inscreveram, até o momento, na Companhia Estadual de Habitação Popular (Cehap) para adquirir uma moradia própria por meio do programa federal ‘Minha Casa, Minha Vida’, mas que ainda aguardam o benefício. No entanto, esse dado não quantifica o número exato de pessoas inscritas no programa, já que segundo a Cehap, pode haver em uma mesma família mais de uma inscrição efetivada. De 2011 a 2014, 4.845 casas e apartamentos já foram entregues no Estado, e já estão em andamento 7.512 unidades, e destas serão entregues até o final do ano 6.214 residências, segundo a Cehap.

O ‘Minha Casa, Minha Vida’, em parceria com o Estado e municípios, tem por objetivo promover a produção ou aquisição de novas unidades habitacionais, ou a requalificação de imóveis urbanos, para famílias com renda de 0 a seis salários mínimos, não podendo ser beneficiado quem já recebeu de outro programa de habitação social do governo federal, quem já tem casa própria ou financiamento habitacional em qualquer Estado.

De acordo com a Cehap, para fazer a inscrição basta apresentar os documentos pessoais, como RG, CPF e comprovante de residência. Se for casado ou mantiver união estável, deve informar também os dados do companheiro. Entretanto, se a inscrição foi feita antes de 2009 ela não é mais válida, sendo necessário atualizar o cadastro junto à companhia e quem realizou inscrição depois desse período até a presente data, o cadastro está válido, desde que qualquer mudança de telefone, renda ou até mesmo endereço sejam atualizadas.

Foi o que fez a dona de casa Rosa Maria de Medeiros, que mora no bairro do Cristo Redentor, em João Pessoa. Mesmo assim, ela contou que nunca conseguiu o benefício. “Não sei qual o critério deles para entregar os imóveis, pois eu estou desempregada e moro de aluguel, enquanto muitas pessoas recebem a moradia, mas não residem nela, alugam ou vendem a terceiros. Eu me cadastrei na Cehap há 13 anos. Já atualizei minha inscrição, mas não consigo ser sorteada”, declarou.

Conforme a Cehap, os beneficiários são em sua maioria pessoas de baixa renda, famílias carentes ou que estejam cadastradas nos programas sociais do governo estadual e federal, com renda familiar de até cinco salários mínimos.

MOVIMENTO
Somente em João Pessoa, 1.500 famílias que fazem parte do Movimento de Moradia, Ação e Luta Comunitária (Malc Moradia) estão cadastradas junto à Cehap, há vários anos, segundo o coordenador do movimento, Ivo Souza. Destas, 138 famílias ocupam um terreno pertencente à companhia de habitação, localizado no Cidade Verde, em Mangabeira VIII.

“São aproximadamente 400 pessoas nessas 138 famílias acampadas nesse terreno. Nós lutamos e reivindicamos a posse do terreno ou uma casa para cada família, pois não podemos admitir que essas pessoas fiquem sem moradia”, afirmou.

Ivo Souza contabiliza que em todo o Estado existem cerca de dez movimentos populares em prol da moradia, sendo estes, de maiores proporções, se comparados ao Malc Moradia, o que representa um número de famílias sem habitação ainda maior.

“Se fôssemos estimar a quantidade de famílias que lutam pela mesma causa, tomando o nosso movimento como parâmetro, teríamos aí 1.500 famílias vezes cerca de dez movimentos, um total de 15 mil”, estimou. (Colaborou Secy Braz)


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