Vida Urbana

Licença-maternidade permite que mães adotivas criem laços com seus filhos

Pais adotivos têm direito às mesmas garantias trabalhistas dos pais sanguíneos




Período da licença-maternidade garante que pais possam criar laços com os filhos adotivos. (Foto: Francisco França)

“Foi um pouco tumultuada porque eu era a primeira funcionária com contrato que estava fazendo uma adoção e eles não sabiam se eu tinha direito. Mas, mesmo assim, com 15 dias, fui liberada”, afirma a enfermeira Kátia Lima. Ela, assim como qualquer outra pessoa que adotar uma criança, tem direito às mesmas garantias trabalhistas dos pais sanguíneos, como, por exemplo, a licença-maternidade.

>>> Veja o que é preciso fazer para acessar a licença maternidade

Kátia ganhou a guarda de seu filho quando ele tinha apenas um ano e 11 meses. Após passar por uma gravidez ectópica, quando a gravidez se desenvolve fora do útero, ela e seu marido resolveram dar entrada no processo de adoção. No meio do processo, ela engravidou novamente e, mais uma vez, tratava-se de uma gravidez ectópica. Mas no dia em que descobriu que teria que retirar a segunda trompa, o que a tornaria infértil, foi também o dia em que ela recebeu a notícia de que havia um bebê esperando para ser adotado, exatamente com o perfil que ela havia escolhido.

“Como eu já tirei as duas trompas, só poderia gerar um filho agora se fosse por inseminação, mas, hoje, eu só estou esperando acabar o processo de adoção do meu filho para dar entrada em outro processo, dessa vez para adotarmos uma menina”, afirma. “Sem dúvidas, foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida e me mudou completamente. Eu era uma pessoa que quando me formei, há dez anos atrás, tinha três empregos. Depois passei a ter só dois. Hoje, eu abri mão da minha vida profissional para ficar integralmente com meu filho”, comenta.

Logo que adotou seu filho, porém, ela teve a chance de criar laços mais sólidos com ele em seus primeiros meses de convivência graças à licença-maternidade, que a permitiu viver de forma integral para a criança recém-chegada. “No mesmo dia em que peguei a guarda dele, dei entrada na licença. Coisa de dez dias depois, já saí. Tive direito aos seis meses, e ainda tinha umas férias, que juntei”, conta.

Já a servidora pública Caroline Anschau está atualmente gozando da licença-maternidade. No seu caso, porém, fora adotadas duas crianças – uma de dez, outra de 14 anos, irmãos. O tempo que teve com a licença permitiu que ela desfrutasse da companhia dos filhos nos meses em que eles estavam de férias, em dezembro e janeiro.

“Como a guarda deles saiu justamente no mês de dezembro, foi bom porque pude aproveitar as férias deles pra nos conhecermos melhor. Desde julho que nós já tínhamos contato, primeiro com as visitas, depois com os passeios, mas é claro que quando passa a ser uma convivência diária embaixo do mesmo teto, tudo muda. Com esse tempo, nós pudemos nos adaptar”, explica Caroline.

 


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