Vida Urbana

João Pessoa tem a pior distribuição de renda da Paraíba

Dados do IBGE com base na pesquisa Mapa de Pobreza e Desigualdade 2003 utilizou levantamentos feitos na Pesquisa de Orçamentos Familiares do ano de 2003.




Jacqueline Santos
Do Jornal da Paraíba

João Pessoa foi apontada como o município paraibano que deteve a pior distribuição de renda do Estado, em 2003. A Capital também ocupava, nesse ano, a 16ª colocação com a maior desigualdade na concentração de rendimentos entre as 5.564 cidades brasileiras, apesar de ter o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Os dados foram repassados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com base na pesquisa Mapa de Pobreza e Desigualdade 2003, que utilizou levantamentos feitos na Pesquisa de Orçamentos Familiares do ano de 2003. Campina Grande estava na 66ª posição entre as localidades que tiveram maior incidência de pobreza, com 58,9%. O estudo mostra também que 95% das cidades paraibanas tinham mais da metade da população vivendo na pobreza absoluta. Dos 223 municípios, 112 possuíam mais de 50% de moradores pobres.

O Índice de Gini, uma das medidas da desigualdade de renda considerados no levantamento do IBGE, varia de zero a um, e a capital paraibana esteve em primeiro lugar, com 0,50. Quanto mais próximo a zero, melhor a situação da distribuição de renda. Campina Grande tinha 0,45 e estava na sexta colocação das cidades do Estado em termos de desigualdade social. O mapa revela que, na Paraíba, o município de Capim possuía o maior número de pessoas pobres. Dos 4.429 moradores, segundo o Censo 2000, 75% se declararam pobres. A cidade ocupa a 20ª posição entre todos os municípios brasileiros.

As quatro cidades com maior incidência de pobreza são Riachão do Bacamarte, Mari e Marizópolis, todos eles com mais de 70% da população vivendo na pobreza. A realidade desses municípios acompanha o índice regional: 77% das cidades nordestinas tinham mais da metade de sua população vivendo na pobreza, segundo o estudo. João Pessoa também integra a lista de cidades do Estado com mais da metade da população constando de pessoas pobres, com 53% dos moradores na linha da pobreza.

A distância média dos pobres em relação à linha da pobreza de todos os municípios do Estado também foi divulgada pelo IBGE. Capim também estava no topo da lista, com 34,2%, ocupando a 39ª classificação em nível de Brasil. Já João Pessoa tinha o hiato de pobreza em 24,3%. O índice de severidade de pobreza (quantidade de pobres que declararam viver em grave estado de pobreza) também foi revelado no estudo do Instituto, e Capim mais uma vez liderou o ranking, com 19,3%. João Pessoa e Campina Grande tinham 14,2% e 15,1% de moradores em grave situação de pobreza, respectivamente.

Apenas onze municípios, conforme o mapa, estavam abaixo desse percentual, ou seja, o índice da população pobre não excedia a 50%. São Domingos do Cariri, Caraúbas, Nova Palmeira, Várzea e Poço de José de Moura compõem as cinco localidades que apresentaram um panorama melhor em relação à incidência de pobreza revelada pelo IBGE. A pobreza absoluta é medida a partir de critérios definidos por especialistas que analisam a capacidade de consumo das pessoas, sendo considerada pobre aquela pessoa que não consegue ter acesso a uma cesta alimentar e de bens mínimos necessários a sua sobrevivência. A medida subjetiva de pobreza é derivada da opinião dos entrevistados, e calculada levando-se em consideração a própria percepção das pessoas sobre suas condições de vida.

A dona-de-casa Maria das Graças Lira, 29 anos, moradora da comunidade do S, no Róger, está entre os paraibanos que vivem em situação financeira crítica. Com um salário mínimo por mês, ela e o esposo sustentam quatro filhos e pagam as despesas, como água e energia, no entanto tudo com muita dificuldade. “A gente sempre vive no aperto e a vida é muito difícil”, contou.


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