Vida Urbana

Idosos são 11,4% da população da Paraíba; índice é o maior do NE

Na Paraíba, mais da metade da população idosa é de mulheres, totalizando 56,2%.




Rostand Melo
Do Jornal da Paraíba

Amanhã é o Dia Nacional do Idoso. A data lembra as conquistas e os desafios de uma parcela cada vez ativa em todo o país e, principalmente, na Paraíba. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que ano passado 11,4% da população paraibana era formada por pessoas com idade acima dos 60 anos. O Estado é o campeão no Nordeste em número de idosos, empatado com o Rio Grande do Norte. Em todo o país, o Estado é o quinto, ficando atrás apenas de Rio de Janeiro (14,9%), o Rio Grande do Sul (13,5%), São Paulo (11,9%) e Minas Gerais (11,8%).

O levantamento foi extraído da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). O índice paraibano está acima da média dos Estados do Nordeste, que ficou com 10,5% e próxima da média nacional que alcançou 11,1%. Na Paraíba, mais da metade da população idosa é de mulheres, totalizando 56,2%. A proporção feminina é ainda maior na faixa superior aos 70 anos, 59%, demonstrando a maior longevidade das paraibanas.

A proporção de idosos no Estado está crescendo continuamente em 20 anos. De acordo com o censo de 1991, apenas 9,1% dos paraibanos tinham mais de 60 anos, representando na época quase 290 mil idosos. Em 2000, este número já subiu para 350 mil, totalizando 10,2%. A estimativa é que a proporção de idosos no Brasil passará de 15% em 2025, colocando o país no topo do ranking na América Latina. A expectativa de vida no Brasil subiu de 66,9 anos em 1991 para 71,3 anos em 2003.

O avanço na qualidade dos serviços de saúde e o avanço do país na área social são apontadas como os principais fatores que contribuem para a maior longevidade dos brasileiros. Mas apesar dos avanços, os idosos ainda têm que enfrentar preconceito e agressões. Em Campina Grande, a Curadoria dos Direitos do Cidadão recebeu 163 reclamações sobre casos de desrespeito aos direitos dos idosos, entre agressões, maus-tratos, cárcere privado, negligência e até mesmo apropriação das aposentadorias.

Para garantir os direitos previstos em lei, os idosos ainda enfrentam uma batalha diária. “A luta da gente é em cima do Estatuto”, argumenta Severino Ferreira Leite, 76 anos, presidente da Associações dos Aposentados e Pensionistas de Campina Grande. “O problema maior do idoso é com as passagens de ônibus. A gente recebe muita reclamação sobre motoristas que não param para o idoso e contra as empresas que não liberam passagens pra gente viajar para fora do Estado. Você quer viajar e quando chega na rodoviária só tem vaga daqui a dois ou três meses e isso dificulta”, relata Severino, que ainda reclama da falta de respeito à prioridade nas filas.“Muitos passam mais meia hora apesar do direito a preferência”, protesta.

A pensionista Amélia Azevedo de Assis, mais conhecida como “Amelinha”, demonstra força e vitalidade para enfrentar os desafios surgidos com os 78 anos muito bem vividos. Ela é presidente do Grupo ‘Arte de Viver’, que funciona todas as quintas na AABB de Campina Grande. “A gente está se alertando que a família não pode mais tomar conta da gente o tempo todo e temos de lutar para ir para frente e se cuidar sozinha. Hoje em dia, o pessoal vive muito na ativa”, conta com entusiasmo.

Mas apesar da superação dos obstáculos, Amelinha confessa que a solidão às vezes também faz parte de seu cotidiano. “Precisamos também de carinho humano, porque todo idoso é carente. Se todo idoso receber um carinho, começando em casa e continuando na rua, a coisa vai pra frente. Os nosso filhos não têm tempo de dar atenção a gente, mas me sinto bastante protegida por eles”, relata a líder de um grupo de 70 idosos com idades entre 50 e 82 anos.


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