Vida Urbana

Ibama retira barracas da praia de Gramame

Estabelecimentos estavam localizados em áreas pertencentes à União. Demolição foi autorizada pela justiça.




Três barracas, construídas na praia da Barra de Gramame, no litoral sul da Paraíba, foram demolidas ontem por equipes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano de João Pessoa (Sedurb) e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).

Segundo os fiscais, os estabelecimentos estavam em áreas pertencentes à União e tiveram a demolição autorizada pela Justiça. No entanto, os comerciantes alegaram que não foram notificados com antecedência e reclamaram da falta de diálogo com os órgãos públicos. Outras dez barracas, que também estão em área irregular, correm o risco de serem destruídas nos próximos três meses.

Os trabalhos de demolição começaram por volta das 9h de ontem e se estenderam até o período da tarde. Apesar da movimentação de homens, veículos e até de um trator, que foi utilizado no serviço, causarem desespero aos comerciantes, não houve tumulto. A primeira barraca a ser destruída pertencia a Maria Aparecida da Silva. Emocionada, ela disse que comprou o ponto comercial há três anos, pelo valor de R$ 30 mil. “Não tem outra fonte de renda. Essa barraca era de onde tirava meu sustento, para manter a mim e as minhas duas filhas. Não sei como vai ser daqui para frente”, lamentou.

Ela também reclamou da falta de notificação. “Eu não fui avisada com antecedência. Só vi quando chegaram as equipes, dizendo que vai derrubar tudo. Não tive tempo nem para retirar as telhas, porque tudo foi quebrado”, completou.

As outras duas barracas foram demolidas no horário da tarde.

Uma delas pertencia a Marinalva da Silva, 37 anos. Mãe de sete filhos, a jovem também se mostrava preocupada com a ação.

“Eu trabalhava e morava aqui. Agora, perdi tudo e não sei o que vou fazer”, disse ela, entre lágrimas.

O chefe do Núcleo de Apreensão, Remoção e Depósito da Sedurb, Elói de Brito, disse que a operação foi comandada pelo setor de Fiscalização do Ibama e que os agentes da Sedurb foram convocados apenas para dar o apoio logístico ao trabalho, já que o Ibama não dispõe de máquinas necessárias para o trabalho. Já o chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Ibama, Rodrigo Escarião, acrescentou que a demolição foi o resultado de uma sentença judicial, que já tramitou até em segunda instância.

Ele explicou que as áreas ocupadas pelos barraqueiros pertencem à União e são consideradas de preservação ambiental. Por esse motivo, não podem ser ocupadas. “Os comerciantes sabem disso. Nada foi feito sem a notificação. Na última sexta-feira, por exemplo, agentes da Sedurb foram lá na praia, avisar da demolição e pedir que os proprietários retirassem seus utensílios das barracas”, declarou.

A decisão de derrubar as barracas causou indignação entre os frequentadores da praia. O advogado Mamutte Cavalcanti, que visita o local desde que era criança, criticou a ação dos órgãos públicos. "Essas pessoas que trabalham aqui não têm outra fonte de renda. Como é que a prefeitura e o Ibama derrubam esses comércios, sem indenizar as famílias e nem oferecerem qualquer ajuda? São mães de família que já estão vendo seus filhos passando fome”, comentou.

A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) da Prefeitura de João Pessoa informou que uma equipe de assistentes sociais foi ao local verificar a situação dos comerciantes e que, na época, não havia famílias residindo nas barracas.


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