Vida Urbana

Hospital de Santa Rita tem até sexta para regularizar escala médica; CRM pode interditar profissionais

O conselho constatou falta de médicos no local nas terças-feiras e sábados.




O Hospital e Maternidade Flávio Ribeiro Coutinho, em Santa Rita, na Grande João Pessoa, tem até sexta-feira (15) para sanar problemas na escala dos médicos. O prazo foi determinado na terça-feira (12) pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-PB), que fez uma fiscalização no local e identificou que nas terças e nos sábados, não há médicos no setor de urgência e emergência da unidade. Caso o prazo não seja cumprido, os médicos da unidade serão interditados eticamente.

O hospital é uma fundação filantrópica que recebe doações do Ministério da Saúde, através do SUS, e da Prefeitura de Santa Rita, mas de acordo com o CRM, vem sofrendo com a escassez de recursos há meses. “Um hospital daquele porte não pode ficar sem médicos na urgência durante dois dias da semana. Quando chega um paciente, os outros profissionais têm que encaminhar para outro hospital. Isso é inadmissível”, comentou o diretor de fiscalização do CRM-PB, João Alberto Pessoa.

A situação do hospital foi tema de audiência na Promotoria de Justiça de Santa Rita, onde foram envolvidas a direção do hospital, o prefeito, a Secretaria de Saúde, o CRM-PB e o Ministério Público, no mês de julho.

De acordo com os representantes do hospital, a prefeitura precisa aumentar os valores que repassa para cobrir os custos da unidade. “Até o momento, ela [a prefeitura] diz verbalmente que vai ver uma saída, mas nada prático e objetivo, nada assinado”, disse a assessora jurídica do Flávio Ribeiro Coutinho, Melina Barros. “Como é que fica a situação do hospital? Tem uma equipe para pagar, tem vários pacientes na sua porta, precisa atender e o valor que recebe, que era para receber, mensalmente, não cobre os custos fixos. Existe um déficit que vai se acumulando”, questionou.

O secretário de Saúde de Santa Rita, Luciano Carneiro, negou que exista atraso no repasse ao hospital. Segundo ele, o pagamento é feito “religiosamente em dia”. Carneiro disse ainda que a administração municipal vai assumir o plantão da urgência e emergência. Uma reunião vai discutir essa mudança ainda nesta quarta-feira (13).

“A gente quer assumir de imediato. Vamos absorver os médicos e afazer um contrato de prestação de serviços”, garantiu o secretário de Saúde.

Cerca de 3,7 mil pacientes são atendidos por mês, e oferece serviços em obstetrícia, cirurgia geral, clínica médica, UTI e ambulatório de urgência do Hospital e Maternidade Flávio Ribeiro Coutinho. Ao todo, a unidade possui 101 leitos conveniados com o SUS. Destes, 34 são da maternidade, 46 para clínica médica, 12 para cirurgias e 8 para UTI. No setor de imagens, o hospital atende 120 pacientes por dia, através da realização de raio X, ultrassonografia, tomografia, e ainda conta com um laboratório de análises clínicas.


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