Vida Urbana

Homens brancos ganham 41% a mais do que mulheres negras no Brasil

Pesquisa revela  abismo que existe entre sexos e raças no país.




O salário médio mensal das mulheres negras no Brasil é o mais baixo entre todas as populações pesquisadas, de acordo com o Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No estudo, foram considerados os salários de homens brancos, mulheres brancas, homens negros e mulheres negras acima de 16 anos de idade no ano de 2015.

O rendimento médio das mulheres negras ficou em R$ 1.027,50; já os homens negros recebem a terceira menor remuneração média, com pouco abaixo de R$ 1.500. Mulheres brancas recebem, em média, cerca de R$ 1.700. O grupo com o maior salário médio dentre os trabalhadores do Brasil foi o de homens brancos – o rendimento mensal registrado pelo estudo foi de R$ 2.509,70, ou 40,9% a mais do que a renda do grupo de mulheres negras.

A pesquisa também revelou que, do total de mulheres negras ocupadas, 18% delas realizavam serviços de trabalho doméstico, enquanto 10,3% das mulheres brancas acima de 16 anos possuíam a mesma ocupação. Apesar disso, a quantidade de trabalhadoras domésticas brancas com carteira assinada é superior: 32,5% delas possuíam carteira assinada, enquanto 29,3% das mulheres negras que realizavam serviços domésticos tinham o direito garantido.

Para Natália Fontoura, especialista em políticas públicas e gestão governamental e uma das autoras do trabalho, o estudo ajuda a esclarecer o abismo de desigualdade que existe entre os sexos e raças no Brasil. "A desvantagem das mulheres negras é muito pior em muitos indicadores, no mercado de trabalho em especial, mas também na chefia de família e na pobreza. Então, é quando as desigualdades de gênero e raciais se sobrepõem no nosso país”, avaliou.


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