Vida Urbana

Homenagem a soldado morto no trânsito em JP

Militares fizeram mobilização para conscientizar motoristas sobre a importância de não beber antes de dirigir; soldado da Rotam atropelado foi homenageado.



Fotos: Francisco França
Fotos: Francisco França
Militares fizeram carreata da sede do 5º BPM até o local onde o soldado Michel foi atropelado e morto

Em protesto contra a morte do soldado Michel Márcio da Silva Nascimento, 29 anos, vítima de atropelamento no dia 2, foi realizada, na manhã de ontem, uma carreata pela paz no trânsito. O ato contou com a mobilização de policiais militares, bombeiros, policiais rodoviários federais e servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Detran, que partiram da sede do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), no bairro do Valentina de Figueiredo, em João Pessoa, rumo ao Mercado Público de Mangabeira, local onde Michel foi atropelado e morto por um motorista embriagado.

“O último contato com meu filho foi um aceno”, lembra Fernando José do Nascimento, pai do militar. Moradores da mesma rua, na Ilha do Bispo, na capital, o pai de Michel, que é sargento reformado do Corpo de Bombeiros, mencionou que encontrou o filho rapidamente no dia do acidente. “Ele estava arrumando a moto, quando passei pela rua rapidamente. Moramos a seis casas de distância. Ele gritou: Pai! Eu passei e acenei pro meu filho. Parecia uma despedida”, desabafa.

Em frente ao Mercado Público de Mangabeira, uma faixa colocada pelos familiares lembrou o que o soldado representa: “Meu filho, você sempre será meu herói”. Durante as homenagens, também foi entregue uma placa a familiares do soldado. “Além da homenagem ao nosso companheiro, o protesto está sendo voltado para conscientizar as pessoas sobre os riscos no trânsito. Para que as pessoas possam esquecer a ideia de dirigir sob efeito de álcool. É uma mobilização sem revolta, mas que as pessoas sejam mais responsáveis no trânsito”, declarou o tenente-coronel Lívio Delgado, comandante do 5º BPM.

Michel, que neste ano seria promovido a cabo, estava em serviço pela Ronda Ostensiva Tática com Apoio de Motocicletas (Rotam) no dia em que sofreu o acidente. O soldado Vagner Rosa da Silva estava na guarnição e contou que o amigo comandava a equipe.

“Fizemos rondas e paramos para o jantar. Depois recebemos um chamado e fomos em direção à avenida Josefa Taveira, quando um carro entrou na frente da motocicleta e Michel, que estava na frente da guarnição, foi atingido. Ele caiu desfalecido e não respondia a nossos chamados”, relata. O militar chegou a ser socorrido para o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, na capital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Francinete do Nascimento Nunes, esposa do militar, espera que o caso não seja esquecido e que as punições sejam mais severas. “É uma tristeza enorme para a nossa família e também para muitos que compartilham essa dor. Esperamos que o acusado permaneça preso”, menciona. Segundo o comandante do 5º Batalhão, que acompanha o caso, o responsável pelo acidente foi conduzido para a Penitenciária Flósculo da Nóbrega, o presídio do Róger, mas poderá responder o crime em liberdade.

No encerramento, os militares da equipe da Rotam fizeram uma oração em memória do soldado. O policial foi enterrado com honras militares na tarde do domingo, 3.

TRAJETÓRIA
O soldado Michel Márcio ingressou na Polícia Militar em 2002. Ele era casado e deixou dois filhos, uma menina de cinco anos e um menino de sete meses. Há quatro meses ele estava na Rotam e fez vários amigos dentro da corporação, inclusive em outros órgãos, como no Samu, onde também prestava serviços. Em sua vida profissional, ele ainda passou pelo Corpo de Bombeiros.


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