Vida Urbana

Famílias despejadas de condomínio do governo federal dormem em praça de João Pessoa

Elas disseram que ficaram na praça por não terem para onde ir. Prefeitura disse que não vai se posicionar.




Famílias passaram a noite na quadra da Praça da Juventude (Foto: Ítalo Di Lucena/TV Cabo Branco)

Algumas das famílias despejadas após a reintegração de posse de um condomínio do governo federal, na manhã de quinta-feira (12), passaram a noite em uma quadra de esportes, na Praça da Juventude, no Conjunto Vieira Diniz, por não terem para onde ir. A situação foi flagrada pela reportagem da TV Cabo Branco.

A desocupação do Conjunto Habitacional Vista do Verde I e II foi determinada por uma decisão da 3ª Vara Federal de João Pessoa e foi executada pela Polícia Federal, junto com a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e outros órgãos. O residencial estava sendo ocupado de forma irregular por 250 famílias, desde o ano passado.

Ouvidas pelas TV Cabo Branco, as famílias que dormiram na Praça da Juventude reclamaram de frio e de fome. Elas contaram que estão precisando de produtos de higiene pessoal, lençol e barracas. A maioria dos pertences delas foi levada pela prefeitura para escolas municipais.

Uma das mulheres que estavam na praça disse que morava no residencial há 11 meses, depois da família ficar desempregada e não ter mais condições de pagar aluguel. Os quatro filhos dormiram na casa de parentes, enquanto ela ficou na quadra esportiva da praça.

“Foi fácil não, quatro filhos dormindo em um colchão de solteiro”, disse uma outra mãe que dormiu com as crianças na praça.

A prefeitura de João Pessoa disse, por meio da Secretaria de Comunicação, que não vai se pronunciar sobre o assunto, por enquanto. No entanto, ainda na quinta, afirmou que algumas das famílias vão ser beneficiadas com o auxílio-aluguel, mas não disse quantas.

A reintegração de posse

Conforme a Justiça Federal, a operação de desocupação foi determinada após uma decisão liminar não ter sido cumprida (o prazo venceu em 22 de maio) e de diversas tentativas de acordos e de “ações de sensibilização”, como visitas e reuniões com os ocupantes do residencial.

Ainda de acordo com a Justiça, a invasão do Vista do Verde está impedindo a conclusão da obra e dificultando a execução de programas, além de estar prejudicando as famílias destinatárias dos imóveis, que estão em fila de espera há mais de seis anos


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