Vida Urbana

Famílias passam ‘aperto’ em moradias populares de 42m²

Apartamentos abrigam até sete pessoas. Crea-pb revela que área ideal seria de 100m².




Quando nascer, Bianca Jasmim, não vai ter local para dormir. A menina vai dividir o pequeno apartamento de 42 metros quadrados (m²), no condomínio Anayde Beiriz, no bairro das Indústrias, em João Pessoa, com a mãe, o pai, a avó e dois tios.

A história da família formada por cinco membros é apenas um exemplo do malabarismo que famílias com até sete pessoas, precisam fazer todos os dias para viver nas pequenas moradias entregues pelo programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, na capital.

Todas as noites a dona de casa Maria do Socorro Souza, segue a mesma rotina no apartamento 002. Instalar o colchão na sala do pequeno apartamento para que Evelyn Sousa, de sete anos, possa dormir. No imóvel, um dos quartos é ocupado pela dona de casa e por um filho portador de necessidades especiais; o outro cômodo é dividido pelo genro e pela filha, Viviane Souza, que está no oitavo mês de gestação, à espera de Bianca Jasmim.

“Cama a gente tem, mas não pode montar porque falta espaço. A bebê já vai nascer e nós não temos onde montar o berço e por isso ainda não sabemos o que vamos fazer. A minha geladeira e estante da sala eu tive que vender porque os móveis não cabiam no apartamento. Nós queríamos que pelo menos os quartos fossem maiores”, contou Maria do Socorro.

No condomínio Anayde Beiriz residem 584 famílias, em unidades que possuem 41,44 m² de área privativa, composta de uma sala de estar e de jantar, dois quartos, um banheiro social, cozinha e área de serviço. Espaço considerado insuficiente por Maria do Socorro que paga a quantia mensal de R$ 54,50 pelo imóvel.

Além de guardar roupas, a cômoda ganhou uma nova utilidade no apartamento de Maria do Socorro, servir como apoio para a televisão. “A gente tem que adaptar tudo. As roupas não secam direito porque a gente não pode colocar varal para estender, não pode fazer muro”, frisou Maria do Socorro.

Em outro bloco, Valdete Bezerra teve que comprar móveis que coubessem no pequeno imóvel. No local moram ela, o marido e quatro filhos adolescentes. Em um dos quartos dormem as quatro filhas, enquanto o garoto dorme em um colchão na sala.

“Eu sinto muita falta de um quintal, de uma área para estender as roupas”, disse Valdete Bezerra.

Conforme o assessor institucional do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (Crea-PB), o engenheiro civil Corjesu Paiva, para abrigar uma família formada por sete pessoas seria necessário um espaço de aproximadamente 100m². “O espaço é concedido para que possa abrigar em média um casal e dois filhos. É uma estrutura mínima que pode ser ampliada ou não. Neste condomínio não pode haver modificação porque a estrutura não permite a ampliação”, destacou Corjesu Paiva.

Enquanto isso, o vendedor Carlos Eduardo, divide a cama de casal com a esposa e uma filha de quatro anos, já que o segundo quarto é ocupado por outras duas filhas. Ele ainda afirmou que o imóvel não foi entregue com o piso de cerâmica, como consta no contrato. No conjunto habitacional, 3% das casas foram disponibilizadas para pessoas idosas e com dificuldades de mobilidade, ponto positivo, na avaliação da dona de casa Maria do Socorro.


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