Vida Urbana

Fábrica de cimentos em Pitimbu reaproveita petróleo recolhido das praias do Nordeste

Fábrica paraibana já aproveitou 30 toneladas do petróleo bruto recolhido das praias.




Petróleo cru está sendo reaproveitado na fabricação de cimento, na Paraíba. / Foto: Reprodução TV Cabo Branco

O óleo encontrado nas praias do Nordeste tem servido para a produção de cimento numa fábrica localizada na cidade paraibana de Pitimbu, que fica perto da divisa com o estado Pernambuco. Aproximadamente 5 mil toneladas de resíduos são confeccionados por mês, e a fábrica já aproveitou 30 toneladas do petróleo bruto que tem atingido as praias nordestinas desde setembro deste ano.

Para ser reaproveitado, o óleo recolhido na beira-mar precisa passar por vários procedimentos, como a trituração, por conta da areia da praia, para ser queimado como combustível das fornalhas que produzem cimento. De acordo com Frederico Vasconcelos, gerente da fábrica, o petróleo cru tem características específicas. “Ele lembra muito um plástico, uma massa modelar de crianças. É necessário que ele seja diluído com outros tipos de resíduos. Como a gente recebe outros materiais, a gente faz essa mistura e isso dá condições da gente fazer a alimentação dele no forno”, explicou Federico.

O gerente corporativo de Meio Ambiente e coprocessamento da fábrica, Murilo Laurindo, explicou que a forma como a empresa tem aproveitado o petróleo recolhido das praias é a mais correta, conforme o ponto de vista ambiental. As partes do petróleo cru reaproveitadas na fábrica podem ser trazidas de outros estados. 

“Nós, hoje, podemos receber esse material in natura ou ele pode ser misturado. Ao misturar todo esse resíduo e ele for analisado, se tiver adequado, ele é colocado em todo processo para que possa ser realmente ser injetado no forno”, pontuou Murilo.

O óleo

De acordo com informações da Polícia Federal (PF), divulgadas nesta sexta-feira (1º) uma embarcação grega é considerada suspeita de ter causado o derramamento de óleo que atingiu mais de 250 praias nordestinas brasileiras. A embarcação teria atracado em 15 de julho na Venezuela, onde ficou por três dias antes de seguir a Singapura, via África do Sul.

A PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pela 14ª Vara Federal Criminal de Natal (RN) no Rio de Janeiro, em sedes de representantes e contatos da empresa grega no Brasil. Foram solicitadas diligências em outros países, a fim de obter mais dados sobre a embarcação, a tripulação e a empresa e a PF informou, ainda, que está realizando “diversos exames periciais no material oleoso recolhido em todos os estados brasileiros atingidos, bem como exames em animais mortos, já havendo a constatação de asfixia por óleo, assim como a similaridade de origem entre as amostras”.


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