Vida Urbana

Esquema de fraudes no ‘Minha Casa’ funcionava há dois anos

Advogada foi presa como suspeita de chefiar a quadrilha. Segundo a polícia, grupo chegava a vender o mesmo imóvel mais de uma vez.




O esquema de fraudes no programa Minha Casa Minha Vida, desarticulado pela operação Falsa Morada nesta quarta-feira (28), funcionava há pelo menos dois anos na Grande João Pessoa. A advogada que liderava a quadrilha suspeita de realizar as fraudes foi presa preventivamente durante a ação comandada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF). As investigações começaram após suspeita da Caixa Econômica Federal. A PF acredita que pelo menos 20 pessoas estão envolvidas nos golpes.

Liderando o esquema criminoso, a advogada, que não teve o nome divulgado, apresentava imóveis que já tinham sindo vendidos ou que pertenciam a terceiros, sem eles saberem, a engenheiros da Caixa Econômica, que avaliavam o imóvel. Após isso, ela aliciava ‘laranjas’ e formulava documentações que garantiriam que aquelas pessoas se enquadrariam nos requisitos do MCMV, para receberem o beneficio total. Depois de pegar o dinheiro do financiamento, ela alugava ou colocava novamente para venda o imóvel.

“Documentos que instruíam a renda dos beneficiários vinham de uma mesma empresa, de maneira que suspeitou-se que teria algo irregular nesses contratos, então isso foi informado à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, a partir das demais investigações se concluiu que se tratava de um esquema fraudulento”, afirmou o procurador-chefe do MPF na Paraíba, Rodolfo Alves Silva.

Ao todo, foram identificados 17 financiamentos nesse esquema, o que gerou um montante de R$ 1,7 milhão A operação que identificou o esquema criminoso durou 10 meses. A advogada que liderava as fraudes era proprietária de uma empresa de construção civil. Ela foi presa preventivamente porque estava tentando atrapalhar as investigações. A suspeita já havia sido detida este ano por fraude na obtenção de precatórios. “Além dela, a operação focou em mais quatro pessoas. São mais de 20 envolvidos, levando em conta os beneficiários dos financiamentos, e tem uma série de diligências sendo feitas”, afirmou o delegado Leonardo Paiva.

Durante a operação Falsa Morada, pelos menos quatro pessoas foram conduzidas para serem ouvidas na sede da Polícia Federal. Entre elas estão um mestre de obras, um ex-funcionário de um correspondente bancário, um corretor de imóveis e um contador, todos suspeitos de participação no esquema.

De acordo com o procurador Rodolfo Alves Silva, os financiamentos identificados como fraudulentos abrangem cerca de dois anos, mas empresa da advogada atua no ramo da construção civil há seis. “Não temos notícia se houve irregularidades nesse período, certeza mesmo, temos como relação aos 17 contratos”, disse. Com relação aos beneficiários dos financiamentos, a investigação ainda vai aprofundar a participação de cada um deles.

Ainda foram apreendidos durante a ação documentos, um notebook, carimbos e documentos da prefeitura de Santa Rita, de uma construtora e também de um carro de luxo, avaliado em aproximadamente R$ 200 mil. Os documentos de Santa Rita, cidade onde ficava a maioria dos imóveis envolvidos no esquema, a polícia acredita que sejam falsos, mas isso ainda vai ser investigado.

A advogada presa e os demais envolvidos devem responder pelos crimes de associação criminosa e fraude contra instituição financeira, podendo pegar, caso condenados, até 14 anos de detenção. 


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.