Vida Urbana

Entidades afirmam que UFPB sabia de casos de violência de seguranças contra estudantes desde 2016

Aluno assassinado fez uma série de denúncias. MPF admite que ele seria ouvido em processo aberto em 2019.




Entidades afirmam que Reitoria da UFPB sabia de supostos casos de violência ocorridos dentro do Campus I. Foto: Divulgação

Nove entidades ligadas a estudantes e docentes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), divulgaram nesta quinta-feira (20), uma nota sobre o posicionamento da direção da instituição, em relação ao assassinato do estudante Clayton Tomaz de Souza. No documento, as organizações afirmam que a administração da universidade foi procurada por vários meios e tinha ciência das denúncias de casos de violência ocorridos dentro do Campus I, em João Pessoa, e que teriam como autores os seguranças que trabalham no local. O próprio Clayton fez isso várias vezes.

Oito relatos, inclusive, foram organizados em um Dossiê da Violência Institucional da UFPB, transformados em representação e entregue ao Ministério Público Federal (MPF) em abril de 2016.

Entre as denúncias está a detenção de Clayton Tomaz em março de 2016, durante uma festa do Centro Acadêmico de Filosofia, órgão que ele foi dirigente. No relato, ele afirmou que teria sido torturado por agentes da segurança privada da universidade e por outras autoridades policiais.

Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Segundo a nota, Clayton Tomaz (que era conhecido como Alph) fez denúncias em assembleias gerais, audiências públicas, reuniões do Conselho Universitário (Consuni) e na Ouvidoria da UFPB, na tentativa de denunciar o contexto de ameaças que vinha sofrendo na instituição.

Nesta quarta-feira (20), durante uma reunião do Consuni, uma comissão com docentes, estudantes e técnicos-administrativos foi criada para acompanhar as investigações sobre a morte de Alph. Uma das integrantes é a professora Mônica Nóbrega, que está como diretora do Centro de Humanidades, Letras e Artes (CCHLA).

Ao JORNAL DA PARAÍBA, Mônica disse que dentre os casos denunciados ao MPF, em um deles o CCHLA se pronunciou, por ter sido acionado pelo órgão. Segundo a professora, a administração da Universidade sabia dos supostos casos de agressão, mas ela adianta que não pode afirmar se houver algum posicionamento.

Pelo centro ao qual é diretora, a professora se posicionou ao MPF, afirmando que não chegou a presenciar o caso em que estava sendo questionada, mas que em outros episódios viu uma falta de preparo nos membros da segurança, para lidar com “diferenças”.

“A universidade é um ambiente de livre expressão cultural, artística, intelectual e tudo isso é inerente a um centro como o de Humanidades, Letras e Artes. Vi uma falta de preparo da segurança, em abordagens a alunos e em momentos que a Polícia Militar foi chamada, os próprios policiais não conseguiam entender por quais motivos o aluno que estava sendo acusado deveria ser preso, pois não existia necessidade para isso”, disse Mônica, que ainda acrescentou:

“A morte de Alph só escancarou um dos problemas que a universidade sabe que tem, mas que precisa encarar de frente, que é a segurança”, finalizou.

MPF ouviria Alph quando ele ‘sumiu’

Ao G1 Paraíba, o Ministério Público Federal (MPF) disse que um novo procedimento está em curso e foi aberto em setembro de 2019. Alph seria ouvido, quando o órgão ficou sabendo que ele estava desaparecido. A Polícia Civil recebeu todas as informações para auxiliar na apuração do caso. O MPF afirmou que para este novo procedimento foi decretado sigilo, por causa do inquérito instaurado pela Polícia Civil.

Sobre os casos referentes a 2016, o MPF declarou que recebeu o dossiê e instaurou um procedimento para apurar o caso. O órgão frisou que como resultado, “foram tomadas medidas administrativas no âmbito da UFPB, como identificação dos guardas nas fardas e realização de cursos em direitos humanos para os guardas” e que após cumpridas as medidas, o procedimento foi arquivado.


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