Vida Urbana

Em velório, famílias pedem justiça por parentes mortos na Espanha

Cinzas de Marcos, Janaína e dos dois filhos, Davi e Maria Carolina foram dispostas em um mesmo caixão.



Cógenes Lira
Cógenes Lira
Wilta Diniz, tia que criou Janaína como filha, acaricia as urnas com as cinzas da 'filha' e 'netos'

Começou às 9h desta quinta-feira (12), o velório da família de paraibanos assassinada na Espanha. As quatro caixas com as cinzas de Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e dos dois filhos menores, Davi e Maria Carolina, mortos brutalmente por Patrick Nogueira, foram dispostas em um mesmo caixão no cemitério Parque das Acácias, em João Pessoa. O enterro está previsto para às 16h de hoje, no mesmo local.

"Está sendo muito difícil, nunca esperava levar minha irmã gêmea até essa situação, mas é uma página que vamos virar na nossa vida e abrir outra que é botar Marvin na cadeia", disse George Américo, irmão de Janaína.  Marvin é acusado de participação no crime. Ele trocou mensagens com Patrick enquanto ele assassinava a família.

Wilta Diniz, tia que criou Janaína como filha, chegou ao local muito emocionada e gritando "monstro". Ela segurava um cartaz pedindo justiça. Em um determinado momento, se aproximou do caixão e acariciou as caixas com as cinzas da ‘filha’, do ‘genro’ e dos ‘netos’.

A irmã de Marcos, Jacqueline Campos, falou sobre a relação da família com Patrick. "Esse processo tem sido difícil demais, principalmente porque Patrick era um neto querido, um sobrinho querido, um menino que nunca deixou transperecer nenhum tipo de violência, era muito educado, se dava muito com o tio Marcos", disse.

Também criticou a postura de algumas pessoas com relação à irmã dela, Soraia Campos, mãe de Patrick. "Minha irmã tem sido alvo de muitas críticas injustas, porque ela criou três filhos, todos iguais, com toda educação e nem ela nem o marido, tiveram nenhuma intervenção na ida de Patrick para a Espanha. Ele vendeu o carro, comprou as passagens e foi primeiro pra Londres. Foi totalmente independente enquanto os pais estavam no Pará", esclareceu.

Ela disse que para a família de Marcos está sendo especialmente difícil. "A dor nossa da parte de Marcos, tá sendo muito maior, porque não perdemos quatro, perdemos cinco. É muito doloroso saber que um sobrinho nosso fez uma barbarie dessa".

Resignado, Wilton Diniz, pai de Janaína lamentou o fato. "No dia que minha filha foi pra Espanha, era uma alegria total, hoje em dia quando vc chega e se depara com o retorno da família dentro de latas pq não existe outra maneira. É doloroso se deparar com uma situação dessa e aceitar, não tem outra solução", disse.

Ontem, foi realizada uma missa em memória da família na igreja São Gonçalo, no bairro da Torre, em João Pessoa. Ontem também, as cinzas foram liberadas para o velório após ficarem retidas no Depósito Alfandegário do Aeroporto Castro Pinto, na Grande João Pessoa, para averiguação da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Foram quase quatro meses de espera desde o dia em que os corpos de Marcos Campos, Janaína Américo e seus dois filhos foram encontrados na Espanha.

Corpos foram descobertos há quatro meses

Os corpos da família paraibana foram descobertos no dia 18 de setembro, um mês após o crime. As autoridades foram alertadas por um vizinho ‘que percebeu o odor’ vindo da residência. As vítimas do crime foram Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e os dois filhos pequenos do casal.
 
Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. E François Patrick Nogueira Gouveia foi apontado como único suspeito, após a polícia achar material genético dele no local do crime. Patrick se entregou na Espanha e confessou ser o autor do crime.
 
Em depoimento, Patrick admitiu ter planejado o crime. Ele negou ter agido por impulso e disse que foi até a casa com o o intuito de matar todos os parentes e não apenas o tio.


 
Amigo de Patrick

Patrick chegou a fazer selfies com os corpos esquartejados da família paraibana durante a chacina e enviou para um amigo dele, Marvin Henriques, que foi preso por participação no crime. As fotos foram encaminhadas via WhatsApp para comprovar que ele realmente tinha cometido o crime.
 
Um amigo de Marvin pegou emprestado seu celular, notou uma conversa com Patrick e, quando abriu, viu as fotos dos cadáveres da família paraibana. Esse amigo de Marvin levou o celular para a Polícia Federal, que iniciou a investigação. O celular que continha as fotos está anexado ao inquérito principal. Marvin foi liberado da prisão e passou a ser monitorado com tornozeleira. Ele passou a ser réu no processo de chacina na Espanha.

 

 


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