Vida Urbana

Doutorados têm IGC inferior a 3

Notas do Índice Geral de Cursos vão de 1 a 5 e nenhuma universidade pública paraibana obteve conceito médio na avaliação do MEC.



Felipe Gesteira / Leonardo Silva / Nicolau de Castro
Felipe Gesteira /  Leonardo Silva / Nicolau de Castro
Por outro lado, o mestrado ministrado nas três instituições públicas da PB apresentou bom desempenho

Das três universidades públicas paraibanas que oferecem curso de doutorado na Paraíba, nenhuma conseguiu obter o conceito médio da avaliação realizada pelo Ministério da Educação (MEC), que mede o Índice Geral de Cursos (IGC). No exame, que concede notas que vão de 1 a 5, os cursos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) obtiveram médias inferiores a 3. O pior desempenho foi da UEPB, que obteve conceito 2. A média é obtida após cálculo das notas individuais de todos os programas de pós-graduação.

Por outro lado, o curso de mestrado ministrado nas três instituições apresentou bom desempenho. As informações foram divulgadas, na semana passada, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

De acordo com o órgão, o IGC é um indicador de qualidade de instituições de educação superior do Brasil e responsável por avaliar ensino de graduação e de pós-graduação (mestrado e doutorado).

Na avaliação feita nas três universidades paraibanas, o curso de mestrado obteve pontuações que ficaram acima de 3 e foi considerado satisfatório em todas as instituições. Na UFPB, o mestrado obteve IGC 3,81. Na UFCG, o índice foi de 3,84 e, na UEPB, a média foi de 3,18.

Já com relação ao doutorado, a situação ficou diferente. Na UFPB, o IGC ficou em 2,29. O curso ofertado pela UFCG foi avaliado em 2,52 e a pós-graduação ministrada na UEPB obteve índice 2,00, apontado como o mais baixo da Paraíba.

Para o pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), uma agência vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Valdir Barbosa, não existe incoerência no fato do mestrado obter índice satisfatório, enquanto que o de doutorado não apresenta bom desempenho. O especialista, que é professor doutor da UFPB, explica que as pesquisas realizadas em cursos de mestrado e de doutorado possuem graus de exigências distintas.

“No curso de doutorado, a exigência é maior que a do mestrado. Consequentemente, o nível de cobrança também é maior. Acredito que seja por isso que o mestrado, por estar mais consolidado, tenha apresentado um desempenho satisfatório, enquanto que o do doutorado ainda precisa se desenvolver mais. Isso é coerente. Incoerente seria se o mestrado estivesse com índice menor que o do doutorado”, avalia.

O pesquisador ainda acrescenta que investimentos em pesquisas poderão ajudar a mudar esse desempenho da Paraíba. “Nos últimos anos, o governo federal fez muitos investimentos em pesquisas, mas isso não é suficiente. A cada dia que passa, a ciência se depara diante de novos desafios para os quais precisa encontrar solução. Por isso, a demanda por financiamentos nesses estudos é muito grande”, observa.


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