Vida Urbana

Dia do Trabalhador: Maternidade ainda interfere nas carreiras das mulheres

Pesquisa revela que 61% das mulheres percebem maior dificuldade de sucesso profissional após terem filhos.




Na Paraíba, 61% das mulheres percebem maior dificuldade de sucesso profissional após terem filhos. (Foto: Pixabay)

Apesar da luta que vem sendo travada diariamente pelas mulheres em busca de direitos iguais entre os sexos, a maternidade ainda aparece como um grande obstáculo para que elas possam exercer suas carreiras de maneira equiparável aos homens. Isso porque muitas vezes as empresas discriminam mulheres grávidas já na hora da seleção para a vaga e, também, caso a mulher já esteja empregada, o fim da licença-maternidade pode coincidir com o fim do emprego.

Na Paraíba, 61% das mulheres percebem maior dificuldade de sucesso profissional após terem filhos, foi o que revelou a pesquisa Carreira e Maternidade realizada pelo site Trocando Fraldas. O estado fica em 4º lugar quando considerados todos os estados brasileiros, ficando atrás apenas do Amapá (82%), Ceará (63%) e Distrito Federal (63%). A pesquisa ainda mostrou que 3 em cada 7 brasileiras sentiram medo de perder o emprego ao engravidar ou sentem esse medo caso engravidem agora – o medo é maior na faixa etária de 18 a 24 anos onde 45% das mulheres estão apreensivas.

A pedagoga Fabianna Lopes, por exemplo, passou recentemente pela prova de fogo que é engravidar quando se está no mercado de trabalho. Ao voltar da licença-maternidade, foi demitida da escola onde era prestadora de serviço há quase quatro anos. “Eles sequer deram satisfação. Só fizeram dizer que eu não tinha mais vínculo”, pontua. “Isso me deu a sensação de que as pessoas são descartáveis, sabe? Que não tem importância. Por mais que você faça, caso você não possa contribuir por um tempo, você já não serve mais para nada. Mas gravidez não é doença”, opina.

Já a psicóloga organizacional Maria Helena Morais voltou para o trabalho quando seu filho ainda possuía poucos meses de vida. Ela teve seu filho quando a gravidez ainda estava com 27 semanas – um caso de prematuro extremo – e ele teve ainda que passar 97 dias entre UTI e UCIN. “Praticamente não tive licença maternidade. Fiquei com ele apenas por um mês e 25 dias, mas voltei a trabalhar pois o trabalho possui um sentido na minha vida”, declara.

Especialistas apontam que empresa possui um papel importante no processo de gestação e, posteriormente, na licença maternidade. (Foto: Pixabay)

A pesquisa revela que um total de 23% das mulheres alteram seus planos de ter filhos devido a motivos profissionais, 1% a mais do que na última pesquisa realizada em 2017. A importância da carreira é maior para as mulheres entre 35 e 39 anos com 27%.

Para a psicóloga, a empresa possui um papel importante no processo de gestação e, posteriormente, na licença maternidade. “Passar para a funcionária a segurança necessária para que ela tenha a tranquilidade de se afastar sem medo de perder seu posto de trabalho é fundamental para que ela retome confiante de que a empresa estará sempre a apoiando. A empresa deve deixar claro que sabe que a partir daquele momento a funcionária precisará se ausentar para eventuais consultas de rotina ou para qualquer imprevisto e que a empresa estará sempre a apoiando”, afirma.

Outro dado alarmante é que João Pessoa é a terceira capital com maior dificuldade em conseguir uma vaga em creche. Avós e outros parentes próximos são a salvação de 3 em 7 mães para cuidar do filho quando volta ao trabalho, em apenas 11% dos casos o pai fica com a criança.


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.