Vida Urbana

Denúncias aumentam após estupro coletivo

Delegacia de Queimadas registrou aumento no número de denúncias de casos de violência doméstica após estupro em fevereiro.



Leonardo Silva
Leonardo Silva
Caminhada pela paz reuniu moradores do município que pediam o fim da violência contra a mulher

Passos lentos e vozes que exprimiam a revolta e a vontade de acabar com a violência marcaram a caminhada que aconteceu ontem no município de Queimadas, Agreste da Paraíba, em favor da paz. Mulheres e homens se uniram pelo fim da banalização de crimes que estão assolando muitas famílias locais. Por causa da vontade de mudança, as denúncias aumentaram na cidade, que chega a registrar cerca de 80, por mês, consequência de abusos sofridos dentro da própria família.

Segundo o delegado da cidade, Elissandro Pinto, depois dos casos que aconteceram no município, relacionados a violência contra a mulher, a exemplo das amigas Isabella Pajuçara e Michelle Domingos, estupradas e mortas no dia 12 de fevereiro deste ano, as mulheres queimadenses estão se sentindo mais revoltadas com os acontecimentos e procuram na Justiça, o direito de viver em paz, sem ser agredidas. “O fato é que antes deste acontecimento praticamente não existiam denúncias do tipo e agora nós chegamos a registrar cerca de 30 mensalmente”, informou o delegado.

No Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) do município, o número é ainda maior. No local, uma média de 50 denúncias são recebidas, todos os meses, segundo informação da assistente social Morgana Gomes. “Realmente não existiam denúncias. Talvez por falta de esclarecimento das mulheres, o que está mudando depois de toda a repercussão do caso de Isabella e Michelle. As mulheres daqui estão se sentindo mais seguras”, disse. A mobilização entre as queimadenses também fez nascer a vontade de um total engajamento na luta contra a violência e há seis meses, um grupo delas formou a Comissão dos Direitos das Mulheres e da Diversidade Humana.

Para sua coordenadora, Maria José de Lima, a iniciativa foi uma espécie de “grito” da sociedade, que estava praticamente “muda”, ligada a uma cultura machista. “Nós já avançamos muito, mas muitas mulheres ainda se sentem amedrontadas ou envergonhadas por sua condição. Aqui o problema ainda é considerado normal, mas nós vamos mudar esta realidade”, afirmou. Conforme a secretária municipal de Assistência Social, Angélica Figueiredo, as mulheres podem encontrar no órgão todo um aparato, que conta com o serviço de profissionais e apoio do Ministério Público.


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