Vida Urbana

Defesa dos dois acusados de matar Vivianny Crisley vai recorrer a sentença do júri popular

Ministério Público, por outro, lado, não vai recorrer para pedir aumento da pena.




Foto: Dani Fechine/G1

Após o júri popular da quarta-feira (16), que condenou Fagner Chagas e Jobson Barbosa, acusados de matar Vivianny Crisley, a defesa dos réus afirma que irão recorrer sentença dada pela Justiça por não estarem de acordo com as provas apresentadas pelo Ministério Público.

Fagner Chagas foi condenado a 22 anos de prisão em regime fechado e Jobson Barbosa, a 24 anos. Eles foram acusados do crime de homícidio duplamente qualificado, somado com sequestro e ocultação de cadáver.

Antes da acusação dos promotores, Mácio Gondim e Edmilson de Campos Leite Filho, os réus foram ouvidos e alegaram que não tiveram participação na morte da jovem, que ela teria sido assassinada apenas por Allex Aurélio, condenado no dia 28 de fevereiro a 26 anos de prisão em regime fechado.

De acordo com o advogado de Fagner, Hallyson Chaves, a defesa respeita o veredito do conselho de sentença, porém não concorda com a decisão. “Não estamos de acordo com as provas dos autos, motivo pelo qual iremos recorrer com apelação da citada decisão”, diz. Fagner também foi representado por mais dois advogados, Filipe Augusto de Moura e Antônio Elias Firmino.

Já o advogado de Jobson Barbosa, Paulo Rodrigues da Rocha, afirmou que irá protocolar o recurso criminal na próxima segunda-feira (21). “Vamos buscar a reforma da sentença”, afirma. Além de Paulo Rocha, Jobson foi representado pelo dvogado Bruno Inácio Diniz.

Segundo o promotor, Márcio Gondim, o Ministério Público (MP) está satisfeito com a decisão e inicialmente não irá recorrer. “O acusado anterior, Allex Aurélio, pegou alguns anos a mais porque ele foi condenado pelo crime de furto do celular de Vivianny. Não vamos recorrer da quantidade de pena aplicada”, explica.

>>> De acordo com a Seds, 34 mulheres foram assassinadas na PB nos primeiros quatro meses de 2018.

O julgamento

Foto: Dani Fechine/G1

Antes de iniciar o depoimento dos réus, a defesa solicitou que o caso seja repassado para a Comarca de Bayeux, já que o corpo foi encontrado na Mata do Xenxen, que fica na cidade, onde a vítima teria chegado ainda com vida. Mas o promotor Márcio Gondim defendeu que o crime deve ser julgado onde foi cometido, no caso, ainda na região de Santa Rita. A juíza concordou com o promotor e manteve o julgamento.

O júri foi formado por sete homens. As três mulheres que estavam convocadas para compor o júri foram recusadas pela defesa dos réus.

O MP divergiu da versão apresentada nos depoimentos dos acusados. De acordo com os promotores, Fagner das Chagas e Jobson Barbosa participaram ativamente do homicídio. Márcio Gondim acrescentou, ainda, que após o homicídio os homens roubaram dinheiro da vítima. “Pegaram R$ 70 da vítima e foram festejar no dia seguinte com bebidas e mulheres”, disse.

Relatos de Tortura

Fagner contou que foi interrogado durante quatro horas pela polícia para confessar o crime. Ele teria recebido socos e com água sendo jogada sobre ele. O réu disse que não falou nada sobre o caso durante a audiência de custódia porque tinha sido ameaçado.

Já Jobson conta que além de apanhar, sofreu pressão psicológica e que por isso confessou participação no crime. Ele relatou ter sido obrigado a ingerir álcool, teria sido estuprado com um fuzil e que a violência teria afetado permanentemente sua saúde.

Em sua acusação, Márcio Gondim disse que os réus tentaram desacreditar o trabalho realizado pela polícia alegando que sofreram torturas na Central de Polícia, localizada no bairro do Geisel, antes de prestar depoimento.


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