Vida Urbana

Cristianismo cresce entre índios

Algumas aldeias ainda tentam preservar a cultura local, mas segundo cacique Potiguara presença de igrejas católicas e evangélicas dificulta.



Francisco França
Francisco França
Conscientizar os jovens sobre a importância de manter a tradição tem sido difícil, diz cacique

A tendência dos indígenas em deixar suas práticas religiosas e adotar outras crenças continua crescendo, comparando os dados do Censo Demográfico de 2000 e 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, o número de indígenas que se declararam cristãos católicos ou evangélicos no Brasil passou de 579.126 (em 2000), para 625.470, em 2010. Revelando um crescimento de 8%.

Entretanto, segundo o Censo, o número de católicos caiu. Em 2000, dos 734 mil declarados indígenas, 432.326 eram católicos, o que corresponde a 58,9%. No Censo de 2010, dos 821.501 indígenas brasileiros, 416.201 se disseram adeptos do catolicismo, o que representa 50,66%. Na Paraíba, considerando os números de 2010, do total de 19.490 indígenas, 14.583 são católicos.

Já o número de evangélicos cresceu entre os indígenas. Em 2000, eram 146.800. No último Censo, essa parcela representa 209.259 índios brasileiros. Na Paraíba, o Censo de 2010 revela que 3.056 índios são evangélicos, sendo mais representativos os que pertencem às igrejas de origem Pentecostal (1.778) e Assembleia de Deus (1.469).

Diante deste quadro de cristianização entre os indígenas, algumas aldeias tentam preservar a cultura local, como por exemplo a aldeia de São Francisco, localizada no município de Baía da Traição, Litoral Norte do Estado. Liderada pelo cacique Alcides da Silva, o povo potiguara desta aldeia divide as práticas religiosas tradicionais com a Igreja Católica e com uma igreja evangélica, que atua no local. Segundo o cacique, conscientizar os jovens sobre a importância de manter a tradição tem sido difícil diante da presença desses grupos religiosos.

“Não concordo com a atuação dessas religiões na nossa aldeia porque enfraquece a nossa cultura, principalmente com os mais jovens e as crianças. A gente quer levar a aprendizagem da cultura e religião potiguara para o nosso povo, mas enfrenta dificuldades por causa disso. Vou fazer uma reunião com a comunidade e pedir que essas igrejas saiam de nossa aldeia”, reclamou.

O mesmo pensamento de resistência do cacique é compartilhado pelo índio José Ronaldo, que mora na aldeia potiguara de São Miguel, também na Baía da Traição. Pai de dois filhos, ele conta que procura ensinar as tradições religiosas à família para que os filhos não esqueçam suas origens. “Hoje tá muito dividido as religiões nas aldeias. Tem gente católico, evangélico, mas eu quero manter nossa tradição. Isso também acontece porque muitos chefes de aldeia permitem que pessoas de outras religiões entrem em nossa aldeia para converter os índios”, lamenta.


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