Vida Urbana

Clubes sociais lutam contra a decadência e as dívidas

Afundados em dívidas e com quadros de sócios cada vez menores, estas associações agonizam e lutam para não fechar suas portas.




Phelipe Caldas

Costumava-se dizer nas décadas de 1960 e 1970 que eles disputavam o posto de quarto homem mais importante da Paraíba, tamanho o prestígio das entidades que presidiam. Primeiro vinha o governador, depois vinham o comandante do 1º Grupamento de Engenharia (os tempos eram de regime militar), o prefeito de João Pessoa e, na briga pelo quarto lugar, os presidentes do Esporte Clube Cabo Branco e do Clube Astrea. Hoje, contudo, a realidade é bem diferente. Afundados em dívidas e com quadros de sócios cada vez menores, estas associações agonizam e lutam para não fechar suas portas.

A situação mais complicada é, sem dúvida, a do Astrea. Sem um único sócio adimplente e com dívidas para pagar, há muito tempo o clube não passa por reformas ou por melhorias estruturais. E com a exceção do ginásio – que, mesmo precário, ainda é alugado para eventos terceirizados -, toda a sua parte física está abandonada. As piscinas estão inutilizadas, o campo de futebol foi tomado pelo mato e todos os outros espaços (academia de ginástica, salas, salões, quartos, parques, restaurantes e bares) estão desativados e sofrendo com a ação do tempo.

Mas mesmo diante de cenário tão sombrio e desolador, os atuais diretores ainda adotam um discurso de revitalização e resgate do “azul e branco” pessoense. “O Astrea é parte integrante do patrimônio histórico da Paraíba e precisa ser preservado. Nós amamos o clube e não pensamos nunca em vendê-lo. Queremos reerguê-lo e fazer com que ele volte a ser grande”, discursa Robertson Eugênio, presidente da Comissão de Intervenção do clube.

Ele lembra que, fundado em 1886, o Astrea tem 124 anos e é o mais antigo do Estado. “Não podemos pôr fim a uma história de mais de 100 anos. Temos que, ao contrário, iniciar uma campanha de soerguimento”, destaca Robertson, prometendo para breve uma campanha de divulgação dos atos que a atual comissão vem fazendo para assim incentivar uma ampla campanha de recadastramento dos sócios. “Hoje não temos um único sócio adimplente, o que dificulta enormemente nossas ações. Mas estamos fazendo um trabalho sério que esperamos que dê certo”, completa.

Em situação melhor, mas nem por isto andando com as próprias pernas, está o Cabo Branco, que, com todas as dificuldades, ainda mantém um quadro de 1.400 sócios que pagam regularmente suas mensalidades. Bom para os dias atuais, péssimo para um clube que no passado já se orgulhou por ter dez mil sócios em dia. O atual presidente, Antônio Toledo, destaca que o clube seria superavitário se não fossem as dívidas acumuladas no passado.

“Arrecadamos em média R$ 45 mil por mês e gastamos R$ 40 mil com manutenção. Mas aí entram as dívidas que foram sendo acumuladas pelas administrações do passado e por isto sempre fechamos no vermelho. Mas no dia que pagarmos estas dívidas as coisas vão melhorar”, explica Toledo.

O presidente do “vermelho e branco” diz que para sobreviver o clube precisou se adaptar aos novos tempos e assim terceirizar vários de seus serviços. As escolinhas esportivas hoje são geridas pelos próprios professores (que usam o espaço físico do clube e em troca repassam 50% do lucro) e a parte social composta por restaurante, bar e boate está arrendada.

O parque aquático do clube é outro setor que não é mais gerido pelo clube. Hoje as quatro piscinas do clube (incluindo uma das poucas olímpicas existentes na Paraíba) estão sob a responsabilidade do nadador olímpico Kaio Márcio, ex-atleta do Cabo Branco que atualmente arca com os R$ 7 mil mensais que são gastos apenas com a manutenção das piscinas. “Parcerias como estas são muito bem vindas, porque nos livramos de gastos que nem sempre tínhamos como pagar”, comemora Toledo.


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