Vida Urbana

Casos de sífilis entre grávidas na Paraíba crescem 41% entre 2017 e 2018

Jovens mães entre 20 e 29 anos representam metade dos afetados pela doença.




A ocorrência de sífilis têm avançado entre jovens e gestantes no Brasil, no período entre 2016 e 2018. Na Paraíba, foram mais de 2.515 casos notificados desde 2010. O maior número de ocorrências aconteceu em 2017, com 1.011 casos identificados. Em todo o país, foram 479.730 casos de sífilis adquirida. A taxa mais preocupante é a de ocorrência em gestantes, o que pode resultar no nascimento de bebês com a doença: jovens mães estão entre as mais das afetadas pela doença.

Em 2018, os casos de sífilis em gestantes notificados na Paraíba foi de 839, um acréscimo de 41% nos registros da doença em relação aos números constatados em 2017 (592). Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES/PB) e do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (MS) do ano passado. Aproximadamente 50% dos registros da doença ocorreram com mães entre 20 e 29 anos, com uma leve redução no ano de 2018 (49,7%), em relação ao ano anterior (53,7%).

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 193.479 casos de sífilis, sendo 119.800 de sífilis adquirida, 49.013 de ocorrências em gestantes e 24.666 congênita, em 2017. Neste período, foram registrados 206 óbitos por sífilis congênita. No ano anterior (2016), foram notificados 150.210 casos da doença, sendo 90.883 adquirida, 38.144 de sífilis em gestantes e 21.183 congênita, além de 195 mortes.

A DOENÇA

A sífilis é uma doença infectocontagiosa sexualmente transmissível, mas que também pode aparecer em decorrência de transfusão de sangue, por contato direto com sangue contaminado ou na forma transplacentária, transmitida da mãe para o feto, em qualquer período da gestação.

A doença se manifesta inicialmente como uma ferida indolor, mais frequentemente localizada na genitália, no reto ou na boca. Em uma segunda fase, é caracterizada por lesões avermelhadas na pele, inclusive na palma de mãos e planta de pés. A partir daí, ocorre um período sem novos sintomas até uma terceira e última fase, que pode variar de meses à anos, levando a sérios danos para a saúde em geral e até à morte.

A médica ginecologista Juliana Pierobon, adverte para que a população sexualmente ativa deve permanecer atenta e adote medidas de prevenção, como a realização de exames médicos regulares e, principalmente, o uso de preservativo durante as relações sexuais.

“A sífilis é um mal silencioso. Após a infecção inicial, a bactéria pode permanecer no corpo por décadas, para só depois manifestar-se novamente. A doença é grave e não pode ser negligenciada”, ressalta.

Para Juliana, a falta de prevenção e informação sobre as doenças sexualmente transmissíveis (Dst’s) fazem com que os números de ocorrência da sífilis entre os jovens sejam altos. Ela alerta ainda para a necessidade de cuidados específicos por parte de gestantes, para reduzir os riscos ao feto.

“Os jovens, que cada vez mais praticam sexo sem prevenção por não saberem muitas vezes do perigo das DSTs, precisam ser alertados. Acredito que o tema deveria ser discutido, inclusive, nas escolas e universidades. No caso das gestantes, é importante iniciar o pré-natal o mais cedo possível, com a inclusão do teste de sífilis no primeiro e no terceiro trimestre da gravidez, além de repetí-lo na hora da internação para o parto”, afirma a médica.

Os riscos da sífilis na gestação incluem graves efeitos para o feto, podendo culminar em abortos, óbitos fetais e neonatais, ou ainda recém-nascidos com sequelas diversas da doença, que poderão se manifestar até os 2 anos de vida, que são os casos de sífilis congêntia.

CUIDADOS DEVEM SER CONSTANTES

Segundo o Ministério da Saúde, a pasta desenvolve estratégias nacionais para qualificação da atenção à saúde para prevenção, assistência, tratamento e vigilância da sífilis. Em 2017, nasceu o “Projeto de Pesquisa Aplicada para Integração Inteligente Orientada ao Fortalecimento das Redes de Atenção para resposta rápida a Sífilis”, fruto de uma parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Entre as ações propostas, foi desenvolvido o site sifilisnao.com.br, que orienta os usuários sobre diagnóstico e tratamento da doença.

A sífilis tem cura e o tratamento é simples, realizado através do uso de antibióticos. A assistência é gratuita e assegurada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o medicamento por ser encontrado em postos de saúde.

O teste que detecta a sífilis é semelhante ao que indica ocorrência do HIV e igualmente rápido, seguro e sigiloso, realizado a partir de uma gota de sangue da ponta do dedo do paciente. O resultado demora em média 20 minutos. Quanto mais rápida é a descoberta da sífilis, mais cedo é possível começar o tratamento, prevenindo outras doenças e evita a transmissão da bactéria.


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